A decisão da junta militar da Guiné-Bissau de impedir o regresso ao país do presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, está a gerar reacções diversas entre os moradores de Bissau.
No início desta semana, Embaló prometeu regressar ao país no domingo e disputar as eleições presidenciais previstas para Dezembro. Entretanto, os líderes militares justificaram a decisão de impedir o seu retorno com as “condições de segurança” e a necessidade de preservar a ordem pública.
Entre os moradores da capital, há quem defenda o direito de Embaló regressar ao país. “Você não pode ficar de fora, você é um cidadão, faz parte desta terra. É o povo que decide. São eles que escolhem os seus líderes”, afirmou Maimuna Seide.
Já Lamine Djassi considera que Embaló não foi propriamente impedido de regressar, uma vez que as autoridades responsáveis pela sua segurança alegaram não estar em condições de garantir a sua protecção. Ainda assim, defende que, tendo em conta a proximidade das eleições, poderiam ser adoptadas medidas para garantir a segurança do presidente deposto. “Quero deixar claro que não sou a favor de proibi-lo de vir”, afirmou.
Embaló vive exilado em Marrocos desde que os militares tomaram o poder, em Novembro do ano passado, após uma eleição contestada, na qual tanto o então Presidente como o candidato da oposição reivindicaram a vitória.
Uma nova Constituição, aprovada em referendo em Agosto, ampliou os poderes presidenciais e alterou as regras eleitorais. Entre outras disposições, estabelece que os candidatos à Presidência devem ter residido continuamente no país durante os cinco anos anteriores. Não está claro como esta disposição poderá afectar uma eventual candidatura de Embaló.
A junta militar reiterou, na quinta-feira, que continuam em vigor as restrições a manifestações, reuniões e encontros com fins políticos, implementadas depois da tomada do poder.
A Guiné-Bissau, situada entre o Senegal e a Guiné, registou cinco golpes de Estado e inúmeras tentativas de golpe desde a independência de Portugal, em 1974.
Muitos observadores suspeitavam que Embaló tivesse orquestrado o golpe de 26 de Novembro para interromper um processo eleitoral que parecia estar a perder. A tomada do poder pelos militares ocorreu um dia antes do anúncio dos resultados provisórios.