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Chapo convida investidores brasileiros a participar na transformação energética de Moçambique

O Presidente da República,  Daniel Chapo, convidou, esta segunda-feira, no Rio de  Janeiro, investidores e empresas brasileiras a estabelecer parcerias  com Moçambique na exploração de petróleo e gás,  desenvolvimento industrial e transferência de tecnologia,  defendendo que os recursos energéticos do país devem gerar  empregos, fortalecer empresas nacionais e impulsionar a economia. 

O Chefe do Estado falava na abertura do Fórum Rio Petróleo e Gás  2026, organizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e  Biocombustíveis (IBP), onde foi o principal orador.

Na ocasião, afirmou que Moçambique pretende aprofundar a  cooperação com o Brasil, aproveitando a experiência brasileira na  exploração em águas profundas, engenharia, logística e  desenvolvimento de cadeias de fornecedores. 

O estadista sublinhou que a relação entre os dois países deve  traduzir-se em oportunidades concretas de investimento,  capacitação de técnicos e crescimento conjunto de empresas  moçambicanas e brasileiras. 

“Hoje, o desafio da nossa geração é acrescentar a essa ponte uma  nova dimensão: energia, tecnologia, investimento e prosperidade  para os nossos povos”, declarou o Presidente, ao evocar os laços  históricos, culturais e diplomáticos entre Moçambique e Brasil, que  assinalaram, em 2025, 50 anos de relações diplomáticas. 

O Chefe do Estado destacou o potencial energético  moçambicano, estimado em cerca de 180 triliões de pés cúbicos  de gás natural, dos quais aproximadamente 133 triliões são  considerados recuperáveis, além dos recursos hidroeléctricos,  solares e eólicos. 

Além disso, referiu, igualmente, os projectos em desenvolvimento na  Bacia do Rovuma, incluindo Coral Sul, Coral Norte, Mozambique  LNG e Rovuma LNG, que representam investimentos estimados em  cerca de 50 mil milhões de dólares norte-americanos. 

Na sua intervenção, o Presidente moçambicano defendeu uma  nova etapa de desenvolvimento do sector, orientada não apenas  para a produção e exportação de energia, mas também para a  industrialização, agricultura, produção de fertilizantes e criação de  empregos. 

“A transição energética não pode significar transição sem energia.  Não haverá transição verdadeiramente justa se construirmos um  mundo de energia limpa para alguns e de pobreza energética para  outros”, afirmou.

Daniel Chapo apontou, neste contexto, a importância do gás  natural para responder às necessidades de desenvolvimento de  Moçambique e de África, defendendo uma transição energética  justa e inclusiva, que concilie sustentabilidade ambiental, acesso à  electricidade e crescimento económico. 

O estadista anunciou que o país está a preparar uma nova fase de  oferta de áreas para pesquisa e exploração de hidrocarbonetos,  apoiada em informação geológica e geofísica mais robusta e num  quadro regulatório modernizado. 

Destacou, igualmente, a aprovação da Lei do Petróleo, em Junho  deste ano, que, segundo explicou, visa assegurar previsibilidade  jurídica, estabilidade fiscal, transparência regulatória e protecção  dos investidores, preservando os direitos adquiridos e o interesse  nacional. 

O Presidente Chapo referiu ainda a Lei do Conteúdo Local como  instrumento de desenvolvimento empresarial, defendendo maior  participação de empresas moçambicanas na cadeia de valor da  indústria energética, através de parcerias, formação e transferência  de tecnologia. 

Neste âmbito, saudou o Memorando de Entendimento entre a  Petróleo Brasileiro (Petrobras) e a Empresa Nacional de  Hidrocarbonetos (ENH), manifestando expectativa de que o acordo  abra caminho a uma presença mais expressiva da empresa  brasileira em Moçambique. 

Ao encerrar, o Chefe do Estado convidou os investidores, instituições  financeiras e parceiros tecnológicos a acompanharem as  oportunidades de pesquisa, exploração e desenvolvimento  industrial no país, sublinhando que Moçambique pretende construir  parcerias de longo prazo com o Brasil e outros mercados. 

“Queremos transformar estes recursos em indústria, em  conhecimento, em empresas, em empregos e oportunidades”,  afirmou. 

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