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Obras abandonadas e edifício interdito deixam mais de 6 mil alunos em condições precárias em Gaza

Mais de três mil alunos da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai, estudam debaixo de árvores desde 2024, depois da paralisação das obras de reabilitação da cobertura de 18 salas, avaliadas em quase oito milhões de meticais. Noutra escola pública, em Chibuto, cerca de três mil alunos continuam em tendas desde Março, após a interdição do edifício principal.

O problema começa em 2023, quando o Ministério da Educação destinou quase oito milhões de meticais à reabilitação da cobertura das salas da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai. As obras, sob responsabilidade do sector da Educação, foram interrompidas sem explicações públicas sobre as causas da paralisação ou o destino dos fundos.

Iniciadas em 2024, as obras deveriam durar apenas três meses, mas continuam por concluir. Das 18 salas cuja cobertura deveria ser reabilitada, apenas sete foram concluídas, e mesmo estas continuam a apresentar infiltrações quando chove.

A paralisação das obras já era questionada em Fevereiro de 2025. A 2 de Fevereiro daquele ano, o director da Escola Básica 7 de Outubro, David Chivite, falava ao O País sobre a situação.

Quase três anos depois do início do processo, mais de três mil alunos continuam a estudar em condições precárias. Das 58 turmas da escola, 13 continuam ao relento.

Debaixo das árvores, o calendário escolar segue, mas quando ameaça chover os cadernos fecham-se e as aulas são interrompidas. Joana Cesar, aluna da escola, descreve as dificuldades enfrentadas pelos estudantes.

Durante mais de quatro horas, algumas crianças permanecem sentadas no chão. Alísio, aluno, relata que os estudantes perdem a concentração e queixam-se de dores nas articulações.

Lucas, também aluno, aponta consequências na aprendizagem e no aproveitamento escolar. A professora Ana Levi reconhece, igualmente, que as condições enfrentadas pelos alunos podem estar a pesar no seu desempenho.

Mas as dificuldades começam ainda antes de os alunos chegarem à sala de aula. Alguns percorrem longas distâncias com a pasta numa mão e, na outra, a própria cadeira que terão de usar durante as aulas, numa rotina imposta pela falta de carteiras.

“Chegar cedo já não é apenas chegar à aula. É chegar primeiro à carteira. Quem perde essa corrida, aprende sentado no chão”, relata Edna Cossa, aluna da escola.

Perante a demora na conclusão das obras, permanece a pergunta sobre o destino dos cerca de oito milhões de meticais destinados à reabilitação das salas. A Direcção Provincial da Educação de Gaza surge agora com uma nova promessa de solução, depois de outras terem ficado por cumprir.

” Agora recebemos a confirmação de orçamento para dar seguimento ainda este anos”, disse Raquelija da Glória.

A porta-voz da instituição, Raquelija da Glória, reconhece que o problema ultrapassa a Escola Básica 7 de Outubro. Em toda a província de Gaza, segundo a responsável, mais de 200 turmas continuam a estudar em condições precárias.

E enquanto em Xai-Xai os alunos estudam debaixo de árvores, em Chibuto, mais de três mil estudantes estão em tendas desde Março, depois da interdição do edifício principal da Escola Secundária de Chibuto, devido ao iminente risco de colapso.

A espera pelo arranque das obras de reabilitação das 18 salas é agora acompanhada por outro problema: o calor intenso no interior das tendas.Os alunos apontam ainda a falta de energia e a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, o que dificulta a visualização do quadro e o acompanhamento das aulas.

Diante desta realidade, os alunos pedem respostas ao Governo e uma solução que permita recuperar condições dignas para a aprendizagem.

De Xai-Xai a Chibuto, são duas escolas e realidades diferentes, mas com o mesmo problema: mais de seis mil alunos estudam sem condições adequadas. Uns debaixo de árvores, outros em tendas.

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