O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, em Maputo, que a preservação da música e das artes moçambicanas deve ser assumida como uma responsabilidade do Estado, para garantir a continuidade do legado de uma geração de artistas que há mais de cinco décadas contribui para a construção da identidade cultural do país.
Falando à imprensa após participar, no sábado, no concerto “Gratidão”, que juntou no mesmo palco os músicos Wazimbo e José Mucavele, o Chefe do Estado explicou que a sua presença visou homenagear não apenas os dois artistas, mas toda uma geração de músicos que marcou diferentes momentos da história de Moçambique, incluindo o período da proclamação da Independência Nacional.
“[…], daí que chamos que tínhamos que marcar presença, não só para homenagear José Mucavele e Wazimbo, mas homenagear uma geração inteira de músicos moçambicanos que até hoje continuam a preservar grandes valores da nossa cultura e precisamos de preservar a nossa cultura”, afirmou o Presidente da República.
Daniel Chapo salientou a longevidade artística dos dois músicos e o reconhecimento alcançado pela música moçambicana, considerando necessário preservar esse legado e assegurar a sua transmissão às novas gerações. “Um povo que não tem cultura não tem identidade”, afirmou.
Neste contexto, o Presidente moçambicano destacou a expansão da Escola Nacional de Música para as regiões Centro e Norte como parte dos investimentos do Governo destinados à preservação, divulgação e ensino da cultura moçambicana, defendendo uma maior articulação entre a educação e a cultura.
O estadista considerou igualmente que a convivência entre artistas de diferentes gerações demonstra a possibilidade de transmissão de conhecimentos e experiências. “É uma demonstração clara e inequívoca da mistura de gerações”, afirmou, referindo-se à colaboração entre músicos de diferentes idades observada durante o espectáculo.
O Chefe do Estado defendeu ainda o investimento nas indústrias criativas, considerando que a música, as artes e a cultura podem gerar recursos para os artistas, receitas para o Estado e contribuir para a promoção do turismo moçambicano nos mercados regional, continental e internacional.
“Precisamos de mais casas de cultura, temos que fazer investimento, precisamos expandir, como o colega perguntou muito bem, a nossa Escola Nacional de Música para as regiões centro e norte e também no futuro pensarmos que cada província possa ter, pelo menos, uma escola de música”, afirmou.
Sobre o abraço aos dois músicos no palco, o Presidente da República explicou que o gesto representou uma manifestação de gratidão pelo contributo dos artistas para a cultura nacional.
“Aquele abraço significou um abraço de todo o povo moçambicano a eles, mas a uma geração inteira destes músicos e dos fazedores, sobretudo, das artes e cultura que continuam a preservar as artes ao nível do nosso país”, declarou.