Primeira-ministra diz que contratos firmados na FACIM devem dar lugar a fábricas, unidades de processamento e novos postos de trabalho. A primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou o sector privado e as instituições responsáveis pela promoção do investimento a transformarem os compromissos assumidos durante a 51.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) em investimentos concretos, capazes de impulsionar a industrialização, criar emprego e aumentar o rendimento das famílias moçambicanas.
Falando no encerramento da FACIM 2026, que decorreu durante sete dias sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma economia sustentável e industrializada”, Benvinda Levi considerou que a feira voltou a afirmar-se como um importante ponto de encontro entre empresas, investidores, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento.
Para a governante, a edição deste ano permitiu aproximar empresas nacionais e estrangeiras, produtores e potenciais compradores, bem como investidores e fornecedores de tecnologias e soluções, colocando em evidência a diversidade económica e produtiva de Moçambique.
“A feira termina, mas os negócios não podem terminar com o encerramento dos pavilhões”, advertiu Benvinda Levi, defendendo que os compromissos e manifestações de interesse registados durante o certame devem ser acompanhados até à sua concretização.
Segundo a primeira-ministra, os contratos resultantes da FACIM devem transformar-se em investimentos e estes, por sua vez, em fábricas, unidades de processamento, explorações agrícolas, empresas de serviços, projectos tecnológicos e infra-estruturas.
Benvinda Levi apontou a industrialização e a agregação de valor às matérias-primas como prioridades para uma transformação estrutural da economia moçambicana. Defendeu, neste sentido, que o país deve reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação e apostar na criação de cadeias de valor nacionais e regionais.
A governante destacou igualmente o papel do agronegócio na economia e na segurança alimentar, defendendo maior aproximação entre produtores, unidades de processamento e mercados. Considerou ainda necessária a adopção de tecnologias agrícolas mais eficientes e resilientes às mudanças climáticas, com vista ao aumento da produtividade e dos rendimentos no campo.
PM DESTACA PAPEL DAS PEQUENAS EMPRESAS
Na sua intervenção, Benvinda Levi atribuiu particular destaque à participação das micro, pequenas e médias empresas na FACIM, considerando-as como a maioria do empresariado nacional e actores fundamentais para o desenvolvimento económico.
Para a primeira-ministra, o principal desafio de Moçambique não reside apenas na capacidade produtiva, mas na necessidade de aumentar a escala de produção, melhorar a produtividade, garantir regularidade no abastecimento dos mercados, reduzir custos e facilitar o acesso aos mercados nacionais e internacionais.
Defendeu ainda uma maior integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor, como forma de aumentar a produção, gerar emprego e rendimento e criar bases sólidas para a independência económica do país.
Benvinda Levi apelou à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), à Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), ao Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), às instituições financeiras e a outras entidades ligadas à promoção do investimento para que acompanhem os acordos firmados durante a feira.
A primeira-ministra pediu igualmente a remoção de obstáculos e a simplificação dos processos, para que os investimentos possam avançar com maior rapidez.
No plano governamental, garantiu que o Executivo continuará a apostar na melhoria do ambiente de negócios, através da digitalização da economia, simplificação de procedimentos, redução da burocracia, inclusão financeira e expansão da conectividade.
Benvinda Levi considerou que estas medidas poderão reforçar a capacidade das empresas moçambicanas de competir nos mercados nacional, regional e internacional.
No encerramento, a primeira-ministra felicitou os expositores pela participação e diversidade de produtos apresentados, destacando a FACIM como uma “montra de Moçambique para o mundo”.
A governante encorajou os participantes a levarem da feira não apenas os contactos estabelecidos, mas também uma imagem renovada de Moçambique, enquanto país com desafios, mas igualmente com empresas, produtos, talentos, recursos e oportunidades de investimento.
Benvinda Levi declarou oficialmente encerrada a FACIM 2026, deixando como principal desafio a passagem dos compromissos assumidos no recinto da feira para a concretização de investimentos com impacto na economia nacional.