Cinco congoleses, incluindo duas crianças, terão ficado feridos durante confrontos entre manifestantes anti-imigração e estrangeiros em Durban. A Polícia deteve um estrangeiro acusado de ferir um agente.
Uma manifestação contra a presença de imigrantes sem documentos terminou em confrontos, na quinta-feira, na cidade portuária de Durban, na África do Sul, onde se registam, há várias semanas, protestos contra a imigração irregular.
Segundo a Polícia sul-africana, cerca de 100 manifestantes pertencentes a um grupo anti-imigração participaram numa operação que classificaram como uma “campanha de limpeza”, visando um acampamento onde se encontram centenas de estrangeiros, instalado em frente a um edifício governamental.
Durante os confrontos, pedras foram lançadas pelos dois grupos. A Polícia afirmou que uma das pedras, atirada por um estrangeiro, atingiu um agente, tendo o suspeito sido detido. As autoridades não divulgaram a identidade do detido nem outros detalhes sobre o caso.
Um dos líderes da comunidade estrangeira, o bispo Raphael, natural da República Democrática do Congo (RDC), afirmou à AFP que cinco cidadãos congoleses, incluindo duas crianças, ficaram feridos durante os confrontos.
“A marcha de hoje foi muito violenta. Eles encontraram-nos aqui e atacaram imediatamente o nosso povo. Não estamos a cometer nenhum crime por estarmos aqui. Isto é injustificável”, declarou.
De acordo com o bispo, os manifestantes estavam munidos de paus e tentaram avançar contra o acampamento, enquanto a Polícia procurava impedir o confronto entre os dois grupos.
Raphael afirmou ainda que as forças policiais utilizaram granadas de efeito moral para dispersar os manifestantes, o que, segundo ele, terá contribuído para os ferimentos registados.
Muitos dos estrangeiros instalados no local afirmam ser refugiados da RDC e dizem ter procurado protecção na sequência de actos de hostilidade contra imigrantes sem documentos na África do Sul.
VIOLÊNCIA AUMENTA
Durban tornou-se, nas últimas semanas, um dos principais focos de manifestações contra a imigração irregular no país. A tensão aumentou depois de grupos radicais anti-imigração terem estabelecido o dia 30 de Junho como prazo para que os imigrantes sem documentos abandonassem a África do Sul.
A vaga de protestos e confrontos já provocou a morte de pelo menos quatro estrangeiros, segundo dados da Polícia sul-africana, embora alguns governos estrangeiros apontem para um número superior de vítimas.
Mais de 200 mil pessoas terão abandonado a África do Sul, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados divulgados por governos africanos que organizaram o repatriamento dos seus cidadãos.
As autoridades sul-africanas enfrentam agora o desafio de conter a violência e, simultaneamente, responder às preocupações relacionadas com a imigração irregular, num contexto marcado pelo aumento das tensões entre comunidades estrangeiras e sectores da população local.