O legado e a obra da poetisa moçambicana Noémia de Sousa estiveram em destaque numa sessão de conversa realizada, esta quinta-feira, em Maputo, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.
O encontro reuniu artistas, escritores e outras personalidades ligadas às artes e à cultura, que revisitaram a trajectória e a contribuição da autora de Sangue Negro para a literatura moçambicana.
Convidada para o encontro, a actriz Ana Magalhães destacou a importância de preservar e divulgar o legado de Noémia de Sousa, que considera uma mulher de luta e uma referência na formação de jovens através da arte e da poesia.
Para a actriz, uma das melhores formas de Moçambique continuar a homenagear a poetisa é promover iniciativas que mantenham viva a sua obra, levando os seus escritos às novas gerações e divulgando também a sua luta.
Ana Magalhães defendeu igualmente a necessidade de aproximar os jovens da obra da poetisa e incentivá-los à leitura e à escrita, sublinhando que o desenvolvimento de qualquer talento exige dedicação, aprendizagem e estímulo.
“Os jovens devem ler, devem tentar escrever e devem tentar perceber o que os rodeia. Ninguém nasce a saber”, afirmou a actriz.
A artista lembrou ainda que nenhuma profissão ou vocação surge de forma espontânea, sendo necessário tempo, dedicação e apoio para desenvolver capacidades.
Nascida em Catembe, em 1926, Noémia de Sousa destacou-se como poetisa, jornalista e tradutora. A sua obra, marcada por uma forte dimensão social e de afirmação da identidade moçambicana, tornou-a numa das principais referências da literatura nacional.
A autora de Sangue Negro morreu em 2002, deixando uma obra que continua a influenciar novas gerações de escritores e artistas moçambicanos.