Um dos membros fundadores do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e actual chefe nacional-adjunto do Poder Local acusa a direcção do partido de reduzir significativamente a realização de reuniões dos órgãos internos, situação que, segundo defende, está a enfraquecer o debate e a dinâmica da organização.
Falando esta sexta-feira, na cidade da Beira, o dirigente afirmou que, desde que o actual presidente do MDM, Lutero Simão, assumiu funções, há cerca de cinco anos, foram realizadas apenas duas reuniões do Conselho Nacional, contra as dez previstas.
O último encontro, segundo o membro fundador, teve lugar em 2024, não tendo sido realizado, desde então, qualquer outro fórum alargado para o debate de questões de natureza orgânica do partido.
O dirigente considera que a situação está a ter um impacto negativo no funcionamento do MDM, defendendo que o partido está a perder algumas das características que marcaram a sua actuação no passado, nomeadamente a realização regular de reuniões internas.
Para o quadro sénior, a ausência de espaços de diálogo pode comprometer a capacidade do partido de discutir os seus problemas e encontrar soluções para os desafios que enfrenta.
CONGRESSO EM FALTA
A preocupação surge também numa altura em que se aproxima o fim do mandato do actual presidente do MDM, previsto para Dezembro deste ano. De acordo com os estatutos do partido, o Congresso deve coincidir com o término do mandato da liderança.
O membro fundador afirma que, até ao momento, o Congresso ainda não foi convocado, nem foi realizada a reunião do Conselho Nacional que deverá deliberar sobre a sua convocação.
Segundo revelou, um grupo de quadros já enviou uma carta à direcção do partido a solicitar a convocação do Congresso, mas ainda não recebeu uma resposta oficial.
O dirigente apela, por isso, à liderança do MDM para que convoque o Congresso com a maior brevidade, de modo a garantir o cumprimento das normas estabelecidas pelos estatutos da organização.
Esta não é, segundo o membro fundador, a primeira vez que quadros do partido manifestam preocupação com a falta de fóruns internos de debate. Em 2024, um grupo de dirigentes e membros do MDM, incluindo o próprio, terá enviado uma carta ao presidente do partido, alertando para a situação interna e apelando à retoma dos mecanismos de diálogo.
Na altura, segundo o dirigente, Lutero Simão comprometeu-se a criar e dinamizar fóruns internos de debate. Contudo, afirma que, até ao momento, essas promessas não terão sido concretizadas.
A direcção nacional do MDM ainda não se pronunciou sobre as acusações.