O ministro da Juventude e Desporto defende que a participação dos jovens na democracia deve ir além do acto eleitoral, apelando a uma maior preparação, conhecimento e capacidade de diálogo. Na abertura da Conferência sobre Juventude e Democracia, promovido pelo IMD, o governante alertou ainda para os riscos da desinformação, do discurso de ódio e da manipulação da opinião pública nas redes.
O governante alerta que a democracia não se esgota no acto de votar de cinco em cinco anos, mas vive do que acontece entre as eleições, da fiscalização do orçamento do distrito, da qualidade do debate público, da vitalidade das associações de estudantes e juvenis.
“Queremos jovens que conheçam os seus direitos, que saibam como funciona o Estado, que servem e que ocupem, com competência e responsabilidade, os espaços de decisão que a lei lhes reserva. E digo com firmeza, com franqueza, participar exige preparação.”
Para Caifadine Manasse, “a indignação por si só não constrói instituições. Exige-se conhecimento, método, capacidade de negociar e disponibilidade para construir consenso, mesmo com quem pensa de modo diferente. É esse o exercício mais difícil e mais nobre da democracia”, explica.
Sublinhou que “sentar com um jovem de um partido diferente, pensar com um jovem com ideologia diferente, tomar um café, conversar, discutir ideias diferentes, abraçarem-se e pensarem em Moçambique. Este exercício é muito difícil, mas exige de cada jovem coragem, dedicação, determinação, porque todos temos de pensar Moçambique independentemente de ideologia diferente”, anota.
Manasse instou ainda a juventude a apostar na educação cívica no espaço digital.
“A juventude moçambicana informa-se hoje, sobretudo através das redes sociais. Esse espaço trouxe uma extraordinária ampliação de voz dos cidadãos, mas trouxe também a desinformação, o discurso de ódio e a manipulação de opinião pública, agora amplificados por ferramentas de inteligência artificial, capazes de fabricar imagens, vozes nítidas, vozes e notícias indistinguíveis da realidade. Não podemos ser ingênuos”, disse.
Segundo disse, a desinformação não é um incómodo técnico, mas sim um risco para a estabilidade nacional.