A participação da juventude em processos decisórios continua aquém do desejado em Moçambique, e a continuidade desse paradigma pode conduzir ao prolongamento e continuidade de conflitos. A constatação e o alerta são de um documentário do Instituto para Democracia Multipartidária.
O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) iniciou, nesta terça-feira, um ciclo de apresentações de um documentário sobre a paz e a reconciliação em Moçambique. Produzido com todos os actores da sociedade, o documentário alerta para mais atenção com a juventude.
“De acordo com aquilo que é o retrato que temos no nosso documentário, vemos que a questão da inclusão e participação do cidadão nos processos da governação, particularmente os jovens, está aquém do que devia”, disse Fidália Maculuve do IMD, apelando que “haja uma força única, que de facto dê a voz a diferentes intervenientes que possam ser ouvidos”.
Um dos oradores do evento, Rodrigues Dambo aponta as desigualdades sociais como a maior das causas de conflitos.
“Claro que nunca teremos uma sociedade igual, mas a desigualdade sempre existirá. O que é necessário é que nós tenhamos mentes desarmadas para que esta desigualdade não seja refúgio de actos que atentem contra a paz. É evidente que o maior problema é o nível da desigualdade, então, temos de, cada um de nós, contribuir para reduzir este nível da desigualdade.”
O documentário foi apresentado na Universidade Joaquim Chissano. O presidente do Centro de Estudos Estratégicos daquela instituição, Énio Chingotuane, referiu que o País está a ignorar lições do passado que levaram a conflitos.
“O problema não é a existência do conflito em si, mas se nós não conseguimos geri-los e deixamos que eles se tornem violentos. O que nós verificamos hoje no cenário moçambicano é que parece que as lições que nós tivemos do passado, dos conflitos anteriores, não estão necessariamente a ser absorvidas para os conflitos actuais”, referiu.
O pesquisador entende que tal ignorância explica o prolongamento do conflito de Cabo Delgado até hoje sem caminhos para o diálogo e a negociação. O documentário será apresentado em todo o País, com a juventude como público prioritário.