Vinte e quatro mulheres foram assassinadas nos primeiros seis meses deste ano no distrito de Mossurize, província de Manica, num cenário que continua a preocupar as autoridades locais e organizações ligadas à defesa dos direitos da mulher. A maioria dos crimes foi perpetrada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, alegadamente movidos por ciúmes.
Os dados foram avançados pelo administrador de Mossurize, Abdul Zacarias, que revelou que, em média, uma mulher é assassinada por semana no distrito. Apesar da gravidade da situação, o dirigente considera que se registou uma redução dos casos em comparação com anos anteriores, período em que eram reportados entre dois e três feminicídios por semana.
Segundo Zacarias, os conflitos conjugais associados ao ciúme excessivo continuam a estar na origem da maior parte dos actos de violência baseada no género que culminam em homicídios.
Por sua vez, a psicóloga Nícia Dzimba defende a necessidade de uma maior atenção aos sinais de relacionamentos tóxicos, alertando para comportamentos possessivos e manifestações de ciúmes excessivos que podem evoluir para situações de violência extrema.
A especialista considera importante reforçar as acções de sensibilização junto das comunidades, de modo a prevenir situações que coloquem em risco a integridade física e a vida das mulheres.
Além de Mossurize, os distritos de Machaze, Gondola e Barué figuram entre os que registam maior número de casos de feminicídio na província de Manica, segundo dados das autoridades locais.
A persistência deste fenómeno continua a constituir um desafio para as instituições de justiça, autoridades governamentais e organizações da sociedade civil que trabalham na prevenção e combate à violência baseada no género.