O Governo moçambicano reafirmou, nesta terça-feira, que continuará a privilegiar o diálogo diplomático com a África do Sul para enfrentar a crescente onda de manifestações e actos de hostilidade contra imigrantes, rejeitando qualquer possibilidade de medidas de retaliação.
Falando à imprensa, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, sublinhou que a estratégia adoptada por Moçambique assenta em três pilares: proteger, assistir e integrar os cidadãos moçambicanos afectados pela actual situação na África do Sul.
“O espírito do Governo de Moçambique é um espírito de diálogo, de fraternidade e de solidariedade. Nós não vamos trazer intervenções de retaliação”, afirmou.
Segundo explicou, existe uma coordenação permanente entre as autoridades moçambicanas e sul-africanas para encontrar soluções que permitam travar os episódios de xenofobia e garantir a segurança dos cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul.
O governante destacou ainda o envolvimento directo do Presidente da República, Daniel Chapo, nas diligências diplomáticas em curso, visando o reforço da cooperação bilateral sobre a matéria.
Entretanto, o Executivo revelou que 714 cidadãos moçambicanos já regressaram ao país na sequência da tensão vivida na África do Sul. O Governo está agora a trabalhar na sua reintegração social e económica, procurando aproveitar as competências profissionais adquiridas durante a permanência naquele país.
“São jovens que têm competências, habilidades e conhecimentos. Vamos aproveitar esse conhecimento para facilitar a sua integração”, explicou.
Durante a sessão de perguntas e respostas, Ussene Isse voltou a apelar aos moçambicanos que pretendem emigrar para a África do Sul para que o façam através dos mecanismos legais, considerando que a situação migratória irregular aumenta a vulnerabilidade dos cidadãos.
Sobre a morte do Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Dom Osório Citorra Afonso, o Ministro afirmou que aguarda os resultados da investigação em curso antes de se pronunciar sobre as circunstâncias do caso.
“Estamos à espera do relatório da equipa que está no terreno a conduzir as investigações. No momento oportuno serão divulgadas as conclusões e as medidas subsequentes”, declarou.
Relativamente à presença da missão do Fundo Monetário Internacional em Moçambique, o Governo confirmou que os trabalhos já decorrem junto das instituições nacionais, estando prevista a apresentação de um relatório final após a conclusão das avaliações em curso.
No domínio económico, foi igualmente anunciado que o Conselho de Ministros aprovou uma resolução que autoriza o lançamento de um Concurso Público Internacional para um projecto estratégico no sector dos transportes. Contudo, o Executivo esclareceu que ainda não existem datas definidas para a implementação da iniciativa, uma vez que o processo deverá seguir os procedimentos legais previstos.