O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recuperação económica de Moçambique na ordem dos 0,5% em 2026. De acordo com a instituição financeira, a evolução de preços de matérias-primas e a dinâmica de mercados globais terão influência decisiva no desempenho.
Este posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, em Maputo, pelo representante residente do FMI em Moçambique. Olamide Harrison falava numa mesa redonda sobre as Perspectivas Económicas Regionais e os impactos dos choques dos preços dos combustíveis na economia.
O responsável sublinha que as estimativas são baseadas em dados recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador revela um desempenho mais fraco do que o anteriormente previsto, com a taxa de crescimento de 2025 revista para apenas 0,2%.
“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente que saiu do Instituto Nacional de Estatística”, afirmou Harrison, acrescentando que o processo de actualização das projecções procura reflectir de forma mais precisa a realidade económica do País.
O crescimento previsto representa uma desaceleração significativa face aos anos anteriores, em que a economia moçambicana chegou a registar crescimentos acima dos 5%.
O abrandamento é associado à redução do dinamismo em vários sectores produtivos, bem como às restrições financeiras e cambiais que continuam a afectar empresas e consumidores.
Diante do cenário de fragilidade, o FMI considera que existem condições para uma retoma gradual da actividade económica.
“Esperamos um crescimento gradual. Estamos ainda a incorporar vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais”, referiu Harrison e destacou a forte dependência do País por factores externos.
Entre os elementos externos com maior impacto, segundo o Fundo Monetário, estão os preços dos combustíveis, do gás natural e de outras matérias-primas exportadas pelo País, cuja volatilidade continua a influenciar as receitas nacionais e o equilíbrio macroeconómico.
O Fundo Monetário Internacional alerta que uma trajectória de recuperação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos referidos mercados internacionais.
Outro ponto considerado positivo pelo representante do FMI foi a recente retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), um passo que reforça a confiança dos investidores internacionais.
Harrison reiterou ainda o compromisso do FMI em continuar a apoiar Moçambique em áreas estratégicas, incluindo a gestão das finanças públicas, o fortalecimento da administração tributária, a melhoria da governação económica e o reforço da transparência institucional.
Segundo o FMI, a consolidação da estabilidade macroeconómica e a criação de condições para atrair investimento serão determinantes para transformar a recuperação projectada em ganhos concretos para a economia e melhores condições de vida para a população.