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Presidente de Gana exige tratamento mais justo à dívida africana

O Presidente de Gana, John Mahama, lançou um apelo à comunidade financeira internacional para que reveja a forma como avalia a dívida dos países africanos. Defende mecanismos mais rápidos, justos e inclusivos para a reestruturação das obrigações financeiras do continente.

Trata-se de uma posição apresentada pelo governante do país africano durante uma conferência de investidores realizada em Londres. Na ocasião, o estadista procurou reforçar a confiança dos mercados na economia ganesa e nas perspectivas de crescimento de África.

Num discurso centrado nos desafios do financiamento ao desenvolvimento, Mahama sustentou que a dívida africana continua a ser avaliada de forma desfavorável no mercado internacional, o que encarece o acesso ao crédito aos países devedores do continente africano.

Segundo o Presidente, a forma como é feita a avaliação reduz ainda a capacidade dos governos de investirem em sectores estratégicos. Para si, a percepção de risco associada aos países africanos não é realista e não corresponde ao potencial de crescimento dos países.

“Os mecanismos de reestruturação da dívida devem tornar-se mais rápidos, mais justos e mais inclusivos”, afirmou Mahama e defendeu reformas que permitam aos países ultrapassar crises financeiras sem comprometer os seus objectivos de desenvolvimento. 

O governante acrescentou que as actuais soluções internacionais continuam a apresentar limitações significativas para responder às necessidades das economias emergentes. As declarações surgem numa altura em que o Gana procura consolidar a recuperação económica.

Depois da grave crise financeira que levou o país ao incumprimento da dívida em 2022, a situação obrigou as autoridades ganenses a avançarem com um amplo processo de reestruturação da dívida pública, envolvendo diversos credores nacionais e internacionais. 

O processo decorreu ao abrigo do Quadro Comum do Grupo dos 20 (G20), mecanismo criado para facilitar a renegociação das dívidas soberanas, mas criticado pela sua lentidão. Mahama defendeu uma mudança de paradigma na relação entre África e seus parceiros internacionais.

De acordo com o presidente de Gana, o continente não deve continuar a ser visto apenas como destinatário de ajuda externa, mas como espaço de oportunidades de investimento. Na ocasião, defendeu um aumento do financiamento climático destinado aos países africanos. 

“A relação com o Reino Unido deve evoluir de uma relação moldada pela ajuda para uma relação ancorada na inovação empresarial e no investimento”, declarou, sublinhando a necessidade de fortalecer parcerias económicas sustentáveis e mutuamente benéficas.

Mahama argumentou que África enfrenta consequências severas das alterações climáticas, apesar de contribuir com uma parcela reduzida das emissões globais de gases de efeito estufa. No seu entender, deve ser uma prioridade a mobilização de recursos para adaptação climática.

O governante procurou ainda contrariar a narrativa frequentemente associada aos mercados africanos, afirmando que o continente possui condições para se transformar num dos principais pólos de crescimento económico das próximas décadas. 

“África não é um risco a ser gerido. África é uma oportunidade a ser aproveitada”, enfatizou Mahama perante investidores e representantes do sector financeiro internacional.

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