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Parlamentos de Moçambique e Argélia reforçam cooperação com novo memorando

Moçambique e Argélia deram um novo passo no aprofundamento das relações institucionais ao assinarem, neste domingo (17), um memorando de entendimento entre os dois parlamentos, com foco no reforço da cooperação legislativa, troca de experiências e formação técnica de deputados e funcionários parlamentares.

O acordo estabelece mecanismos de colaboração em áreas como produção legislativa, gestão parlamentar e promoção de oportunidades de investimento, além de prever intercâmbios institucionais regulares.

A presidente da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Talapa, destacou que a iniciativa poderá fortalecer não apenas os laços parlamentares, mas também a cooperação entre os dois governos em áreas estratégicas como alterações climáticas, combate ao terrorismo e estabilidade política.

A dirigente sublinhou ainda o carácter histórico das relações entre os dois países, que remontam a mais de cinco décadas, recordando o papel da Argélia no apoio à luta de libertação nacional moçambicana.

“A Argélia acolheu e formou alguns dos primeiros guerrilheiros moçambicanos no processo de independência”, referiu.

O presidente da Assembleia Nacional Popular da Argélia, Ibrahim Boughali, afirmou que o memorando reforça a posição conjunta dos dois países em defesa das causas africanas e abre novas perspectivas de cooperação económica e investimento entre empresários moçambicanos e argelinos.

 

Encontro com estudantes moçambicanos na Argélia

No quadro da visita oficial, a presidente da Assembleia da República reuniu-se também com estudantes moçambicanos a frequentar instituições de ensino superior na Argélia, onde apelou à perseverança face aos desafios financeiros, linguísticos e de adaptação cultural.

Margarida Talapa ouviu preocupações relacionadas com mudanças de curso, suspensão de subsídios, atrasos na regularização académica e dificuldades de comunicação com algumas instituições de ensino fora da capital, Argel.

Os estudantes relataram ainda dificuldades na articulação com a representação diplomática moçambicana, embora a embaixada tenha esclarecido que a gestão dos bolseiros é da responsabilidade do Instituto de Bolsas de Estudo (IBE).

O embaixador de Moçambique na Argélia, Eduardo Namburete, explicou que a missão diplomática tem atuado como intermediária junto das autoridades locais, embora reconheça limitações em alguns processos, como mudanças de curso dependentes de disponibilidade de vagas.

Segundo dados apresentados, a Argélia disponibiliza mais de 2.500 bolsas anuais a estudantes africanos, sendo cerca de 400 atribuídas a estudantes moçambicanos.

No final do encontro, os deputados prometeram encaminhar as preocupações às instituições competentes em Maputo, com vista à busca de soluções para os desafios enfrentados pelos bolseiros.

A reunião terminou num ambiente informal, com a oferta de lembranças, incluindo capulanas e kits para estudantes, e um jantar de confraternização que reforçou o carácter diplomático e cultural da visita.

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