O Presidente da República, Daniel Chapo, prometeu duplicar, ainda este ano, o financiamento destinado aos mutuários do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), numa resposta às preocupações levantadas pelos beneficiários sobre a insuficiência dos valores disponibilizados para a implementação dos seus projectos e a necessidade de maior impacto económico ao nível das comunidades.
A garantia foi dada este sábado, no distrito de Ribáuè, província de Nampula, durante um encontro de auscultação entre o Chefe do Estado e beneficiários do FDEL. O encontro serviu igualmente para avaliar o grau de implementação dos projectos financiados, compreender os desafios no terreno e recolher contribuições dos mutuários sobre a melhoria do programa, num contexto em que o Executivo procura reforçar políticas de empreendedorismo e geração de rendimento ao nível local.
Os beneficiários afirmaram que os montantes atribuídos ficaram aquém das necessidades reais dos projectos, o que tem condicionado a expansão das actividades económicas e a criação de mais postos de trabalho. “O valor não foi suficiente. Estou a pedir que este ano o valor seja um pouco elevado, para a pessoa quando faz o projecto ser tratada com o consumo do projecto”, disse um dos participantes, sublinhando a necessidade de adequação entre o financiamento e a dimensão dos planos apresentados.
Outra beneficiária explicou que o financiamento recebido permitiu iniciar uma actividade económica, embora ainda insuficiente para concretizar o plano inicial de forma plena. “O valor que me deram não chegou para fazer a peixaria, mas tenho um pontapé, tenho a minha peixaria e tenho dois trabalhadores”, afirmou Cidália Francisco, destacando o impacto inicial do programa na criação de auto-emprego, sobretudo entre jovens e mulheres.
No mesmo encontro, outros mutuários defenderam a necessidade de maior investimento em infra-estruturas de apoio, com destaque para estradas de acesso às comunidades, de modo a facilitar o escoamento da produção e a ligação aos mercados locais e regionais. Foi igualmente levantada a proposta de criação de instituições de formação técnico-profissional em Ribáuè, com enfoque em áreas como agricultura, mecânica e carpintaria, como forma de reforçar as competências dos jovens e promover o auto-emprego.
“Se tivéssemos aqui um instituto de artes e ofícios, teríamos mecânica, carpintaria, dentre outros cursos do auto-emprego. Isso iria ajudar muito mais a juventude”, defendeu um dos participantes, sublinhando que a formação técnica pode ser determinante para a sustentabilidade dos projectos financiados.
Os mutuários destacaram ainda o papel do FDEL como uma oportunidade concreta de inclusão económica, sobretudo para jovens empreendedores que anteriormente não tinham acesso a capital para iniciar actividades produtivas. No entanto, apelaram igualmente a uma maior flexibilização e adequação dos valores às realidades locais, tendo em conta o custo dos equipamentos, insumos e logística.
Os participantes levantaram igualmente preocupações relacionadas com o estado das vias de acesso às comunidades, alegando que as dificuldades de circulação afectam directamente o escoamento de produtos agrícolas e comerciais, aumentando custos de transporte e reduzindo a competitividade dos pequenos produtores. “São precisas estradas, pelo menos terraplanadas, para que a nossa comunidade possa ter transportes mais eficazes”, afirmou Fiel das Neves, beneficiário do FDEL.
Em resposta, Daniel Chapo reconheceu que os recursos disponibilizados inicialmente não responderam à elevada procura registada em todo o país, considerando que a procura superou largamente as expectativas do Executivo na fase inicial de implementação do programa. “Era reconhecer aquilo que disseram, que o dinheiro não foi suficiente. Houve muitos pedidos e mesmo aqueles que pediram não tiveram segundo o valor que pediram”, declarou o Presidente da República.
Perante este cenário, o Chefe do Estado anunciou o reforço substancial dos recursos financeiros destinados ao programa, com a duplicação do montante global. “Resolvemos que este ano, 2026, vamos duplicar o valor. O dinheiro vai ser duas vezes mais do que aquilo que foi ano passado”, afirmou, sublinhando que a medida visa responder à pressão da procura e ampliar o alcance do FDEL a mais beneficiários.
Chapo explicou que a medida pretende não apenas permitir o reforço do apoio aos actuais mutuários, mas também alargar o acesso ao programa a mais cidadãos em diferentes distritos do país. Segundo o Chefe do Estado, o maior desafio passa agora por assegurar que os projectos financiados sejam sustentáveis, capazes de gerar rendimento contínuo e impacto real na vida das comunidades, contribuindo para a redução da pobreza e dinamização das economias locais.
“O nosso objectivo é dinamizar a economia dos distritos, criar oportunidades, gerar emprego e renda”, disse o Presidente da República, reforçando a visão de desenvolvimento local assente no empreendedorismo e na participação activa dos cidadãos.
O Presidente aproveitou ainda a ocasião para apelar ao uso responsável dos fundos e ao cumprimento rigoroso das obrigações de reembolso por parte dos beneficiários, sublinhando que a sustentabilidade do programa depende da disciplina financeira e da boa gestão dos recursos. “Este dinheiro não é para gastar. É para fazer negócio, poupar e crescer”, sublinhou, destacando que o sucesso do FDEL depende também do compromisso dos mutuários com a devolução progressiva dos valores recebidos.