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Pescadores de ostras em Inhambane enfrentam dificuldades de escoamento 

Pescadores de ostras em Inhambane enfrentam dificuldades para escoar a produção, numa altura em que a falta de mercado tem provocado perdas e reduzido o rendimento das famílias. Para inverter o cenário, surgem iniciativas que promovem feiras de ligação directa entre pescadores e compradores, numa tentativa de fortalecer a cadeia de valor e dar novo fôlego ao sector.

Pescadores de ostras na província de Inhambane estão a enfrentar dificuldades no escoamento da produção, devido à falta de mercado, situação que tem provocado perdas e redução dos rendimentos das famílias dependentes desta actividade.

As ostras, muito apreciadas na gastronomia moçambicana, representam uma importante fonte de rendimento para comunidades costeiras. No entanto, a pressão crescente sobre os recursos marinhos tem reduzido a sua abundância, afectando directamente a actividade pesqueira artesanal.

“Antigamente tirávamos mapalo… quando é pequeno nós fazemos veda, deixamos crescer e só depois fazemos a abertura quando já está grande”, explicou a pescadora Luísa Arone, destacando práticas locais de conservação.

Com a diminuição das capturas, os pescadores enfrentam também dificuldades na comercialização do produto. Muitos relatam longas deslocações em busca de compradores, sem sucesso garantido.

“Sofríamos com as nossas ostras… levávamos até Macunhe, Vilankulo e outros lugares, mas não conseguíamos ninguém para comprar”, afirmou o pescador Félix Manuel, acrescentando que a situação tem melhorado com novas oportunidades de venda directa.

Este fim-de-semana, foi realizada uma iniciativa que juntou pescadores, compradores e consumidores num único espaço, promovendo o contacto directo e a criação de novas oportunidades de negócio.

A acção enquadra-se num projecto da WWF Moçambique, que pretende dinamizar feiras regulares para fortalecer a cadeia de valor da ostra e reduzir perdas associadas à falta de mercado.

Segundo o representante da organização, Calisto Vilanculos, o objectivo é aproximar os diferentes intervenientes da cadeia produtiva e garantir melhores condições de comercialização.

“A pretensão é fazer a ligação, para que os comerciantes, neste caso, possam ter a oportunidade de interagir também com diversos intervenientes que podem ter interesse na ostra, não só. Sabemos que as comunidades enfrentam algumas dificuldades, por causa das acessibilidades locais onde estão estes recursos, e muitas das vezes elas não conseguem colocar os seus produtos em pontos estratégicos, por causa dessas limitações, dessas áreas. Então, tendo estes produtos numa única área e também tendo vários comerciantes e vários produtores, neste caso, vários comerciantes e vários compradores, é possível ter maior competitividade do processo e vendermos o produto a melhor preço e as comunidades saírem a ganhar e, consequentemente, a resolver os problemas básicos que elas enfrentam dentro das suas famílias”, explicou.

Para além da componente comercial, as comunidades piscatórias estão também a receber formação em técnicas de pesca sustentável e em actividades alternativas de geração de rendimento, com o objectivo de reduzir a pressão sobre os recursos marinhos e garantir a sustentabilidade do sector.

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