Os projectos financiados pelo Banco Mundial na província de Cabo Delgado estão a reforçar o sector privado, na criação de emprego e na dinamização da economia local, segundo concluiu uma missão de monitorização da instituição financeira que avaliou o grau de implementação das iniciativas no terreno.
Trata-se de uma avaliação feita no quadro de uma visita de três dias à província de Cabo Delgado, na qual foram analisados projectos ligados à recuperação económica, estabilização social e apoio ao tecido empresarial, num contexto marcado pelos efeitos de terrorismo e mudanças climáticas.
Durante a missão, realizada em Pemba, ficou claro que a província continua a ocupar um lugar central na estratégia de intervenção do Banco Mundial. A instituição reforça que o enfoque não se limita apenas à assistência humanitária, mas inclui igualmente a reconstrução económica e a criação de condições para o desenvolvimento sustentável.
“Cabo Delgado é uma província prioritária para o Banco Mundial. Na estratégia também de garantir a estabilidade e ajudar em outras formas de criação de emprego também é muito central, muito prioritário. Então, acho que as duas dimensões façam parte da nossa estratégia. Vamos continuar nessa direcção”, afirmou representante da missão, sublinhando a continuidade do compromisso da instituição.
De acordo com dados da missão, os projectos em curso fazem parte do programa “Conecta Negócios”, sob tutela do Ministério das Finanças, que já mobilizou cerca de 30 milhões de dólares em subvenções destinadas a micro, pequenas e médias empresas.
Sublinha-se que, a implementação é assegurada por entidades como a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte e a Conecta Negócios, com foco na revitalização do tecido empresarial local e na sua integração em cadeias de valor regionais e nacionais.
O Banco Mundial destacou também que os resultados já começam a ser visíveis, sobretudo ao nível da produtividade, competitividade e integração das empresas nos circuitos económicos ligados aos megaprojectos da bacia do Rovuma.
“A janela de subvenções de consumo para micro, pequenas e médias empresas de Cabo Delgado tem um aporte de cerca de dois milhões de dólares (…) As subvenções abrangem 600 empresas, no total, incluindo as que já começaram a receber as subvenções. Além dos empregos criados dentro das unidades de processamento, temos pequenos produtores alinhados com contratos de produção para fornecerem produtos, matéria-prima para as indústrias poderem funcionar. Isto significa que estamos a conseguir ter efeito de arrasto e criar empregos fora das unidades directamente financiadas”, acrescentou o representante da missão.
A intervenção do Banco Mundial em Cabo Delgado é também vista como um factor determinante para acelerar o processo de recuperação da província, fortemente afectada por ataques armados e fenómenos climáticos extremos. “Sem financiamento, levaríamos muito mais tempo a construir este estaleiro. Como podem ver, já está 50% operacional, já estamos a operacionalizar e, com certeza, sem financiamento ainda levaríamos anos para fechar. É um investimento muito grande”, referiu a missão, sublinhando a importância do apoio externo na execução dos projectos.
Este ano, está previsto o desembolso de cerca de 30 milhões de dólares adicionais para a província, destinados a reforçar as acções de recuperação, estabilização económica e criação de oportunidades de emprego.
Segundo a missão, liderada por Laurent Corthay, o desempenho das empresas apoiadas tem sido globalmente positivo, com destaque para a qualidade da gestão e a visão estratégica dos empresários locais. “Constatámos um desempenho muito forte das empresas visitadas. O elemento-chave é a liderança, empresários com visão clara, planos de negócio consistentes e capacidade de responder à procura do mercado”, afirmou.
O programa inclui igualmente um forte componente de capacitação, tendo já abrangido mais de sete mil microempresas e cerca de 700 pequenas e médias empresas até Abril de 2026, reforçando competências de gestão, produção e acesso ao mercado.
Entre os casos destacados está a empresa Madopera Comercial, sediada no distrito de Chiúre, que recebeu uma subvenção de 250 mil dólares e registou uma transformação significativa na sua capacidade produtiva, tendo passado de 10 para 50 toneladas por dia. O número de trabalhadores também aumentou de 10 para cerca de 30.
“Com o valor que recebemos, estamos a construir armazéns e a investir em equipamentos para aumentar a produção”, afirmou o director-geral, Conde Madopera.
Outro exemplo citado é a empresa MozCon, dedicada à gestão de resíduos industriais, que recebeu um financiamento de 400 mil dólares para desenvolver soluções inovadoras, incluindo uma planta de pirólise destinada à transformação de resíduos em combustível. A empresa emprega mais de 100 trabalhadores.
Para a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte, os resultados confirmam que o sector privado está a assumir um papel cada vez mais relevante no processo de desenvolvimento económico da província.
“Estas empresas estão a criar postos de trabalho e a trazer soluções sustentáveis para a província de Cabo Delgado”, destacou um responsável da instituição em Pemba, sublinhando a importância da articulação entre financiamento, capacitação e investimento.

