A República Democrática do Congo e o grupo armado M23 concordaram em facilitar a ajuda humanitária e libertar prisioneiros no prazo de 10 dias, segundo um comunicado conjunto divulgado este domingo, após negociações na Suíça.
“As partes concordaram em abster-se de qualquer acção que comprometa a entrega de ajuda humanitária baseada em princípios humanitários nas áreas afectadas pelo conflito” e “avançar, dentro 10 dias, com a libertação de prisioneiros” a fim de “continuar a construir confiança”, refere o documento.
A República Democrática do Congo e o Ruanda ratificaram um acordo de paz mediado pelos EUA em Dezembro, mas a iniciativa não pôs fim aos combates.
Entretanto, de 13 a 17 de Abril, decorreram negociações mediadas pelo Qatar, em Montreux, na Suíça.
Um memorando de entendimento também foi assinado, definindo mecanismos de verificação do cessar-fogo.
As negociações de Montreux reuniram representantes do governo da República Democrática do Congo e do M23, bem como do seu braço político, a Aliança do Rio Congo (AFC).
Estiveram ainda presentes representantes do Qatar, dos Estados Unidos, da Suíça, da Comissão da União Africana (UA) e do Togo, na qualidade de mediador da UA.
Desde o final de 2021, o Movimento 23 de Março (M23), com o apoio de Ruanda, tomou o controlo de grandes extensões de território no leste da RDCongo, região rica em recursos naturais e devastada por conflitos há mais de 30 anos.
O grupo rebelde – composto principalmente por tutsis congoleses – assumiu em 2025 o controlo de grande parte das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, incluindo as respetivas capitais, Goma e Bukavu, no âmbito de uma ofensiva que agravou as tensões entre Kinshasa e Kigali e deu posteriormente origem a um processo de negociações para evitar a expansão do conflito na região.

