O sector privado diz que o Governo agiu bem ao liquidar a dívida com o Fundo Monetário Internacional. Contudo, apela ao Executivo para que tenha o mesmo comprometimento no pagamento da dívida interna. A CTA desafia ainda o Governo a adoptar políticas que estimulem a produção nacional e o investimento privado, para a redução da pobreza.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reagiu, em comunicado, ao pagamento total da dívida de Moçambique, no valor de cerca de 700 milhões de dólares, junto do Fundo Monetário Internacional.
O sector privado diz que reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do FMI, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do país.
O pagamento contribui para consolidar a confiança dos parceiros externos e criar condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira.
Entretanto, entende que deve haver também medidas orientadas para a liquidação de dívidas internas.
“O desafio que se coloca é garantir que este esforço seja complementado por políticas que estimulem a produção nacional, o investimento privado e a competitividade da economia. Neste contexto, destaca-se igualmente a necessidade de o Governo conferir atenção às avultadas dívidas internas”, lê-se no comunicado.
Através do mesmo comunicado, a CTA mostrou-se ainda preocupada com as conclusões do relatório do Banco Mundial, que colocam Moçambique numa posição crítica, dos mais pobres do mundo, e elenca medidas que considera importante implementar.
“O reforço do ambiente de negócios, com maior estabilidade e previsibilidade regulatória; a facilitação do acesso ao financiamento e às divisas para o sector produtivo; a implementação de políticas fiscais equilibradas que estimulem o investimento; a promoção da produção nacional e das exportações; O investimento em infra-estruturas e no capital humano; e o fortalecimento do diálogo público-privado como pilar da formulação de políticas eficazes”.
A CTA salienta que Moçambique possui um potencial económico significativo, cuja materialização depende da capacidade colectiva de alinhar políticas, mobilizar investimentos e fortalecer o papel do sector privado como motor do crescimento e da criação de emprego.

