A Associação Moçambicana de Bancos anunciou uma nova redução da taxa de juro de referência para o crédito no País, fixando-a em 15,50% a partir do mês de Abril. O corte de 10 pontos base representa o terceiro ajustamento em baixa desde o início de 2026.
Desde Janeiro de 2024, a taxa de referência tem vindo a recuar de forma consistente, depois de ter permanecido durante cerca de seis meses no pico de 24,1%, reflectindo um período anterior de forte aperto monetário para conter pressões inflacionárias.
Ao longo de 2026, o comportamento da taxa tem sido marcado por ajustamentos cautelosos. Em Janeiro, a prime rate foi fixada em 15,70%, mantendo-se em Fevereiro, apesar de alterações na taxa directora. Em Março, registou uma nova descida para 15,60%, seguindo-se, agora, o corte para 15,50% em Abril.
Apesar desta tendência descendente na taxa de referência praticada pelos bancos comerciais, o banco central decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% na última reunião do Comité de Política Monetária (CPMO). A decisão interrompeu um ciclo de cortes sucessivos iniciado em 2024 e reflecte uma postura mais prudente face ao agravamento dos riscos macroeconómicos.
O Banco de Moçambique justificou a decisão ao afirmar que “esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação”.
O banco central sublinha ainda que, “neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”.
Entre os principais factores de pressão externa, destaca-se a instabilidade no Médio Oriente, com impacto directo nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo no sector energético. A volatilidade dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares continua a influenciar o custo de vida e a estrutura de preços na economia moçambicana.
A nível interno, persistem desafios associados às cheias e inundações registadas durante a época chuvosa, que afectam a produção agrícola e a logística de distribuição. Estes factores têm potencial para pressionar os preços dos bens essenciais, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, contribuindo para a incerteza nas projecções de inflação.
Dados recentes indicam que a inflação anual atingiu 3,2% em Fevereiro de 2026, após 3% em Janeiro, apontando para uma tendência de ligeira aceleração no curto prazo.
No plano financeiro, a redução da prime rate poderá traduzir-se num alívio gradual no custo do crédito, com impacto directo no financiamento das empresas e das famílias. Taxas mais baixas tendem a estimular o investimento privado, facilitar o acesso ao crédito e impulsionar o consumo, factores essenciais para a recuperação económica.
