Moçambique é o segundo país mais pobre e está entre os 10 mais desiguais do mundo, conclui o Banco Mundial. Segundo a instituição internacional, 81% da população gasta menos de três dólares por dia, quase 200 meticais.
Que Moçambique é um país pobre, quase todos sabem, mas que é o segundo país mais pobre do mundo, apesar dos recursos que tem, alarma qualquer um.
Dados mais recentes do Banco Mundial mostram essa dura realidade. “Moçambique é o segundo país mais pobre e está entre os 10 mais desiguais do mundo, com uma taxa de pobreza de 81% (linha de pobreza de 3 dólares por dia) e um coeficiente de Gini de 50 em 2022”, escreve o Banco Mundial no seu mais recente relatório.
Depois de 12 meses de abrandamento, espera-se que a economia cresça 1,1% neste ano e 1,8% em 2027, com a retoma do projecto de gás natural bilionário da TotalEnergies, mas nada suficiente para mudar o cenário de pobreza actual.
“O número absoluto de pessoas vivendo na pobreza continuará a aumentar, com um acréscimo estimado em 1,8 milhões até 2028”, lê-se.
É que, com os efeitos das cheias que inundaram campos de produção e cortaram a principal estrada do país, bem como o fim da Mozal e o impacto da guerra no Irão, a situação fica mais complicada e o custo de vida poderá agravar-se.
“A inflação está projectada em 7,0% em 2026, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e combustíveis, antes de diminuir para 5,5% em 2027”, escreve o Banco Mundial.
Diante desse contexto, o Banco alerta que o Estado vai continuar a ter falta de dinheiro neste ano e em 2027, principalmente por estar bastante endividado dentro do País e com pouco espaço para aceder a financiamento externo.
Nesse cenário, segundo o Banco Mundial, “a dívida interna total deverá aumentar para 52% do PIB até 2028, com o serviço da dívida representando 80% do serviço total da dívida”.
Caso as actuais pressões fiscais continuem sem controlo, investimentos importantes poderão ficar ameaçados, alerta o banco, que considera que “a instabilidade económica poderá colocar em risco mais de 50 biliões de dólares em Investimento Directo Estrangeiro, com destaque para energia, um valor equivalente a aproximadamente o dobro do PIB de Moçambique”.
Isso pode implicar que parte significativa das receitas de gás natural previstas até o ano de 2042 seja desviada para cobrir desequilíbrios fiscais, em vez de financiar prioridades estratégicas de desenvolvimento.
Diante da situação, o Banco Mundial recomenda, entre outras medidas, a realização de um censo de servidores públicos para reduzir o número de funcionários-fantasmas; a criação de recursos adicionais que poderiam ser mobilizados através da eliminação de incentivos fiscais ineficazes e dispendiosos; aprimorar a gestão da dívida é crucial para expandir as opções de financiamento e reduzir os custos de empréstimo; e criar medidas para conter a folha de pagamento, que seria fundamental para reduzir as necessidades de financiamento.
De acordo com Banco, essas medidas seriam cruciais para restaurar a sustentabilidade da dívida e criar um ambiente de negócios mais favorável, condições necessárias para acelerar o emprego e o crescimento inclusivo.
No entanto, não está claro se este pacote trará ganhos significativos a curto prazo.
“Aprimorar a gestão da dívida é crucial para expandir as opções de financiamento e reduzir os custos de empréstimo. Reformas estruturais, particularmente medidas para conter a folha de pagamento e fortalecer a mobilização de receitas internas, seriam fundamentais para reduzir as necessidades de financiamento e melhorar a confiança dos investidores”, escreve.
Além disso, diversas acções políticas poderiam fortalecer significativamente a gestão da dívida.
A concluir, o Banco Mundial diz que a transição de toda a dívida interna, incluindo os passivos das empresas estatais, para o novo sistema de gestão da dívida, melhoraria a transparência e a supervisão.

