O custo de vida aumentou no país em Fevereiro deste ano, com o agravamento de preços de alguns produtos, como couve, peixe e carvão vegetal. O economista Hélio Cossa diz que o cenário resulta das inundações.
Os preços em Moçambique aumentaram 0,68% em Fevereiro, metade do crescimento registado em Janeiro, que foi um período de dificuldades logísticas devido às cheias no país, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
A couve está entre os produtos que viram o seu preço agravar-se no mês de Fevereiro, tornando a vida das famílias moçambicanas mais difícil.
“O que ditou a subida da couve, ou verdura foi a primeira chuva. Então, os produtores não tiveram viveiros, por isso que verduras estão caras”, explicou uma vendeira, acrescentando que a couve que antes era vendida a 20 e 30 meticais, agora custa 50 a 100 meticais.
O problema não está apenas com a Couve. É difícil também comprar a alface. Nos mercados, as bancas até ostentam um pouco de verde, mas a informação é de que o negócio dos vendedores a retalho atravessa por dias de carência.
No mercado municipal da Malanga, o tomate também apresenta preços variáveis, mas nada acessível.
“O preço do tomate às vezes sobe e desce. Esses dias o tomate está caro, porque mesmo baixando, compramos a 700 até 1500. Automaticamente, o preço sobe também para os clientes”, explicou Fátima Manavetana, vendedeira do Mercado Malanga.
O relatório do INE aponta igualmente para a subida de preço do carapau, e a realidade nos pontos de comercialização confirma os factos.
Ana Alberto teve que reduzir a quantidade de peixe que compra mensalmente para alimentar a sua família, porque o preço não ajuda. “Antes comprava a 1600, 1700, mas agora a lâmina subiu para 2100 e 2200, então tive que comprar 5 quilos, a metade do que costumava comprar”, reclamou.
Deise vende peixe na sua mercearia, no bairro onde mora. Foi, neste sábado, ao talho para comprar o produto, mas saiu desiludida. “O peixe agora está muito caro, então não sei a quanto vou vender. Não é sustentável “, queixou-se.
E quem fornece aos revendedores, tem uma explicação para a subida do preço. “O Preço do carapau está muito elevado porque agora há carência de peixe, não é fácil encontrar o produto. Antigamente, a lâmina estava 1400, 1500, mas subiu para 2 mil”, explicou Nito, comerciante.
Entre os produtos que mais pressionaram a inflação está um carvão vegetal, visto que o preço aumentou cerca de 10%, o que pressiona milhares de famílias nas zonas urbanas.
“Compramos a 2 mil meticais, para vender a 2050. O lucro é de 50 meticais, e há vezes em que nem sai. Nos dias passados, comprei três sacos por 7600, mas não tive um bom retorno”, reclamou Rostina Abel, vendedeira de carvão.
A cadeia de logística e o excesso de burocracias nas estradas estão entre as causas do elevado preço do carvão.
Embora a inflação esteja controlada, o economista Elio Cossa alerta que o seu peso pode ser sentido de maneiras diferentes.
“O peso, o impacto dele é sentido de formas diferentes, sob diferentes planos e prismas. Podemos olhar ao nível geográfico e ao nível dos extractos sociais. Em relação ao nível geográfico, quanto mais nos afastamos dos centros de produção, o custo dos produtos tem sido mais alto, devido, em parte, a alguns problemas logísticos, que acrescem os custos. Agora, quando olhamos para as camadas sociais que oferem salários mais baixos sentem um impacto maior destas inflações”, explicou Élio Cossa
O economista aponta os eventos climáticos extremos como a principal causa da inflação.
“Quando olhamos para o controlo, também temos que olhar para as causas, que, em parte, estão associadas a coisas que fogem do nosso controlo. Olhamos para as intempéries, que, em grande medida, têm desempenhado um peso naquilo que é a evolução dos preços, principalmente, dos produtos alimentares. Nesta época do ano, que verificamos a eclosão de chuvas, cheias e a interrupção de vias de acesso”, acrescentou o economista
A presente época chuvosa está prevista para terminar no fim deste mês.

