A Primeira-Ministra diz que a pobreza não vai reduzir no país, enquanto não houver transformação do sistema agro-alimentar. Por sua vez, Graça Machel defende que a mulher deve fazer parte da cadeia formal de produção.
As mulheres constituem a espinha dorsal da actividade agrícola em Moçambique e representam a maior parte da força de trabalho neste sector.
Por esta razão, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, considera ser essencial garantir que as mulheres tenham acesso ao financiamento e à tecnologia, como forma de, também, reduzir a pobreza.
“Ao falarmos da agricultura como tema central deste evento devemos reconhecer uma realidade incontornável. Não haverá redução sustentável da pobreza nesses ambientes sem a transformação profunda do sistema agroalimentar. Tal passa por reconhecer o papel essencial da mulher e da rapariga no setor agrário Como governo, a nossa prioridade é transformar a produção em rendimento e o rendimento em bem-estar para as famílias. É neste quesito que a centralidade das mulheres se torna incontornável pois são elas que constituem uma parte significativa da força de trabalho no setor agrícola”.
Levi explicou que a mulher está envolvida em várias etapas da cadeia produtiva desde a preparação da terra, a produção, a colheita, a conservação, o processamento e a comercialização, por isso “quando as mulheres têm acesso à terra, tecnologia, financiamento, mercados e conhecimento os ganhos produzem-se não apenas em maior produção mas sobretudo em melhores condições de vida para as suas famílias e maior resiliência para as comunidades”, por esta razão, reforçar a participação e a autonomia das mulheres no sistema agroalimentar não é, para a governante, apenas uma questão de justiça social é também uma condição essencial para acelerar o desenvolvimento econômico das comunidades e do país.
“Colocar as mulheres no centro da transformação econômica, especialmente nos setores onde a sua participação é determinante, como é o caso da agricultura, deve caminhar em paralelo com a garantia dos seus direitos e da sua segurança. Quando falamos de zero pobreza e zero violência para todas as mulheres e raparigas não estamos simplesmente a propagar um slogan, estamos sim a reafirmar um princípio moral que é simultaneamente uma condição essencial para o desenvolvimento”. Levi falava nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, num evento que tinha como tema o papel das mulheres no agro-negócio, organizado por ocasião do Dia Internacional da Mulher, assinalado no domingo.
Por sua vez, a activista Graça Machel destacou a necessidade de maior eficiência no acesso à terra, para o desenvolvimento do agro-negócio.
“Que passemos de enumerar, enumerar as dificuldades, isto para dizer o quê? No próximo ano, nós não queremos ainda falar, dizer, dificuldade é acesso à terra, há de continuar, mas temos que dizer, tantas mulheres já têm o duats, a terra lhes pertence, tantas mulheres já passaram por cursos de formação, tantas mulheres ultrapassaram a burocracia de que nós estamos a falar, quer dizer, não podemos continuar com reuniões em que nós nos lamentamos, lamentamos, lamentamos, primeiro exigir, as meninas têm que exigir”, explicou a fundadora da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade.
No evento, foi lançada uma estratégia que, entre outros aspectos, visa reduzir barreiras institucionais e facilitar o acesso aos mercados para as mulheres.
“O nosso interesse com este plano estratégico é escalar os negócios liderados por mulheres. Se temos uma microprodutora, o nosso interesse é que essa produtora chegue a ser uma grande produtora e que também atinja não só o mercado local, mas também os mercados de exportação”.
A cerimónia contou com a participação de representantes de instituições públicas, privadas e membros do Governo.

