Estiveram presentes na cerimónia de investidura de António José Seguro, para além do Presidente moçambicano Daniel Chapo, altas individualidades estrangeiras, nomeadamente o Rei Filipe VI, da Espanha, os Presidentes de Angola, João Lourenço; de São Tomé e Príncipe, Carlos Manuel Vila Nova; de Cabo Verde, José Maria das Neves; e de Timor-Leste, na sua dupla qualidade de presidente da CPLP, José Ramos-Horta.
Em cerimónia realizada na Assembleia da República Portuguesa, António José Seguro tomou posse como XXI Presidente da República, tendo prestado juramento com a mão direita sobre a Constituição da República Portuguesa, a que se seguiu a execução do Hino Nacional com salva de 21 tiros de artilharia.
A passagem de testemunho formal aconteceu na manhã desta segunda-feira, na Assembleia da República, mas o programa cerimonial da tomada de posse decorrerá ao longo de dois dias.
António José Seguro tomou formalmente posse como Presidente da República na manhã desta segunda-feira, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa no desempenho do mais alto cargo da Nação, função que este cumpriu durante dez anos, correspondentes a dois mandatos.
O programa das comemorações associadas à tomada de posse teve início nesta segunda-feira, em Lisboa, mas irá continuar na terça-feira, com deslocações do novo Chefe de Estado a Arganil, Guimarães e Porto.
A sessão solene teve oficialmente lugar em sede de plenário, tendo prestado, nesse momento, juramento sobre a Constituição da República Portuguesa.
“Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”, afirmou António José Seguro, tal como previsto na Constituição, perante o Parlamento, onde se escutou imediatamente o Hino Nacional, numa cerimónia presidida por José Pedro Aguiar-Branco.
Na sequência de um abraço entre o Chefe de Estado cessante e aquele que inicia agora funções, o presidente da Assembleia da República dedicou algumas palavras a Marcelo Rebelo de Sousa, destacando que “poucos dedicaram tanto da sua vida à causa pública” como ele fez.
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, referiu ainda que este “foi mais amado pelo país real do que, muitas vezes, pelo país político”. Tendo considerado também que este “foi sempre igual a si próprio”, isto é, “de uma previsível imprevisibilidade, de uma proximidade irrepetível” e “de um afecto muito mais genuíno do que estamos, tantas vezes, dispostos a conceder”.
Já na mensagem endereçada a António José Seguro, José Pedro Aguiar-Branco começou por mencionar: “Ouvimos dizer que a democracia está em crise e, no entanto, 5.519.808 cidadãos saíram de casa para votar. Uma das maiores participações de sempre.” Algo que, na ótica do Presidente da Assembleia, significa que “os portugueses acreditam no nosso regime democrático, construído ao longo de 50 anos”.
“Ouvimos dizer que o debate político está polarizado e, no entanto, 3.505.846 pessoas, a maior votação de sempre, foi num candidato que defendeu, abertamente, a necessidade de consensos e de acordos”, disse ainda Aguiar-Branco, em palavras referentes ao ex-dirigente socialista.
António José Seguro, por sua vez, no seu primeiro discurso enquanto chefe de Estado, deixou uma “palavra de gratidão, pela sua dedicação a Portugal e à defesa do interesse nacional”, ao seu antecessor.
“Qualquer que seja o balanço que cada um faz dos seus mandatos, ninguém pode negar-lhe o amor a Portugal.” Anunciou, de seguida, que tomou a decisão de condecorar Marcelo Rebelo de Sousa com “o grau mais alto da Ordem da Liberdade”, o Grande-Colar, em cerimónia que aconteceu ainda esta segunda-feira.
O sexto Presidente da República eleito em tempos de democracia reiterou igualmente o seu compromisso com o país perante o povo português. “Afianço a minha cooperação institucional no respeito pela Constituição da República […]. Assumo hoje perante vós e perante o povo português a honra e a responsabilidade de servir Portugal como Presidente da República […]. Fico eternamente agradecido pela confiança”, afirmou.
Reafirmou a sua vontade de ser “Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses que vivam em Portugal ou no estrangeiro”.

