O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou neste sábado o novo Sistema de Abastecimento de Água de Muanza, em Sofala, uma infra-estrutura orçada em 50 milhões de meticais, que beneficiará inicialmente sete mil pessoas, marcando um passo decisivo na estratégia de levar serviços básicos ao “Moçambique profundo” e combater as assimetrias sociais entre a cidade e o campo.
O Chefe do Estado iniciou a sua intervenção de ocasião destacando que a chegada da água potável a Muanza transcende a entrega de uma obra física. Para o governante, o acto representa um pilar fundamental para o desenvolvimento humano e a soberania do país.
“Não há Independência Económica, sem capital humano forte, saudável, cheio de vida e capaz de produzir riqueza”, afirmou o estadista, reiterando que a saúde e a capacidade produtiva do povo dependem intrinsecamente do acesso à água.
A inauguração em Muanza foi o culminar de uma jornada intensiva na província de Sofala, que incluiu a entrega de infra-estruturas escolares de grande escala em Nhamatanda e na Beira.
O Presidente Chapo sublinhou que estas acções são uma resposta directa aos desafios impostos por desastres naturais, enfatizando: “Tratou-se de afirmar que onde a destruição tentou impor-se, o Estado responde com resiliência; onde a vulnerabilidade tentou instalar-se, respondemos com investimento estruturante”.
O novo sistema, que conta com depósitos apoiados e elevados com capacidade total de 225 metros cúbicos, substitui os antigos furos mecânicos que limitavam o desenvolvimento local.
O Chefe do Estado classificou a situação anterior como uma injustiça social, salientando que “cada metical aqui aplicado não é despesa, é investimento estratégico”, desenhado para libertar o potencial económico do distrito e melhorar a qualidade de vida das famílias.
O Presidente deu especial ênfase ao impacto da obra na vida das mulheres e raparigas, que historicamente carregam o fardo da busca de água. Com as novas ligações, espera-se uma mudança estrutural na sociedade local.
“A mulher e a rapariga deixam de percorrer longas distâncias sob o sol para buscar água, e passam a investir esse tempo na educação, no empreendedorismo e na família”, vaticinou o governante.
No contexto dos recentes eventos climáticos, como o Ciclone Gezani, o Presidente moçambicano aproveitou a ocasião para manifestar solidariedade às vítimas e garantir que a reconstrução será pautada pela visão e planificação.
“A nossa resposta às adversidades não é resignação. É reconstrução com visão. É planificação com coragem”, declarou, agradecendo o apoio da comunidade internacional e do sector privado na resposta às cheias.
A obra insere-se no Programa Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento Rural (PRONASAR), que visa o acesso universal até 2030. Segundo o estadista, o programa é o instrumento que “transforma financiamento em dignidade; investimento em saúde; água em redução da pobreza”, reafirmando que o acesso à água nas zonas rurais é agora um compromisso estrutural de Estado e não apenas um programa circunstancial.
Ao apelar à conservação do património, o Chefe do Estado recordou à população que a infra-estrutura pertence à comunidade e deve ser gerida com responsabilidade para servir as próximas gerações.
“Esta infraestrutura é do Estado, por isso, pertence a vós; é um bem público, o bem público pertence a todos nós”, frisou, instando os residentes de Muanza a cuidarem do sistema como cuidam das suas próprias casas.
O Presidente Daniel Chapo encerrou o seu discurso com uma nota de optimismo sobre o futuro da nação, colocando os distritos no centro da governação.
Para o Presidente, Muanza serve de exemplo para o país ao abandonar a escassez pela abundância organizada, concluindo com a seguinte frase: “O desenvolvimento económico e social está a ser construída gota a gota, porque a água é soberania em estado líquido!”.

