O sociólogo Elísio Macamo diz que a comissão criada para responder à crise causada pelo eclosão do Coronavírus devia ser liderada pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, e com autoridade para tomar decisões sem remetê-las aos ministérios de tutela.
“A comissão técnica criada para lidar com este problema devia ter sido destaca no decreto” e estar “sob liderança do primeiro-ministro por causa do peso que o cargo tem. Essa comissão devia ter a responsabilidade e autoridade para tomar todas as medidas consideradas necessárias e evitar a dispersão de actividades (…)”, considerou Elísio Macamo, para quem este é um momento para tomar medidas com “ditadura”.
O sociólogo critica a ausência de medidas que garantam o cumprimento das medidas decretadas pelo Governo. Para ele, fechar os aeroportos, as discotecas, limitar as horas de funcionamento dos mercados, impor o distanciamento social, por exemplo, pode não resolver o problema com eficácia. “O Decreto [Presidencial] não diz muita coisa sobre isso (…) e remete para ministérios de tutela”.
Elísio Macamo tem dúvidas em relação aos objectivos que se pretende alcançar com as medidas em curso.
“Na Europa o objectivo bem claro, o de proteger a infra-estrutura sanitária para que ela não seja sobrecarregada e por causa disso desacelerar o ritmo da infecção. Não creio que esse objectivo faça muito sentido no nosso país, primeiro porque não temos uma infra-estrutura sanitária. Se o pior acontecer, o que vai precisar mesmo de reforço e protecção são as estruturas de solidariedade, socais, famílias e as comunidades, porque são elas que em momentos de crise de facto respondem. Tenho algumas reticências em relação à eficácia das medidas que foram tomadas. Não tenho muito bem a certeza se são as medidas adequadas (…)”.
Algumas das medidas até aqui tomadas para travar a propagação da doença deviam ser o normal do funcionamento da sociedade moçambicana, de acordo com o sociólogo.
“Na verdade, as medidas que estão a ser tomadas, agora, para lidar com esta pandemia remetem-nos para a anormalidade, para quilo que devia ser normal no nosso país”, afirmou Elísio Macamo, cuja opinião é de que os transportes públicos, por exemplo, não deviam circular superlotados.
De acordo com o interlocutor, os mercados deviam estar melhor regulados e o mesmo tinha que acontecer com os eventos públicos.
