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Retirada dos EUA da ONU influencia para a crise financeira, diz Sérgio Gomes 

O Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos países para que paguem as suas contribuições, alertando para o risco de falência da organização. O analista de política internacional e docente universitário, Sérgio Gomes, diz tratar-se de formalização de uma preocupação que já vem afectando as organizações há anos, porém a retirada dos Estados Unidos da América das agências das Nações Unidas está a influenciar, pois tem efeito directo na instituição como um todo. 

A Organização das Nações Unidas, está em risco de um colapso financeiro.  António Guterres alertou sobre o risco e referiu que a ONU enfrenta problemas orçamentais crónicos porque alguns Estados-membros não pagam as suas contribuições obrigatórias na totalidade,  o que a obriga a congelar as contratações e a fazer cortes.

“Ou todos os Estados-membros honram as suas obrigações de pagar na íntegra e a tempo ou os Estados-membros devem rever fundamentalmente as nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, escreveu numa carta o Secretário-Geral da Organização. 

O aviso surge num  momento em que a administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, reduziu, nos últimos meses, o financiamento a algumas agências da ONU e rejeitou ou atrasou algumas contribuições obrigatórias.

Recorde-se que a 7 de Janeiro do ano corrente Trump, assinou uma ordem executiva para retirar o país de 66 organizações internacionais e deixar de participar de tratados internacionais que, a seu critério, são contrários aos interesses nacionais, incluindo a retirada de 31 entidades da Organização das Nações Unidas.

O que, de acordo com o  analista de política internacional e docente universitário Sérgio Gomes está a influenciar para este risco de colapso. 

“A retirada dos Estados Unidos das agências das Nações Unidas tem um efeito directo na instituição como um todo principalmente num contexto em que os países que deviam ocupar a posição dos EUA num contexto multilateral como a China, fazem-no de forma tremida, não querem assumir os compromissos financeiros ao nível daquilo que os Estados Unidos da América fazia” referiu Gomes. 

Sergio Gomes diz ainda que trata-se de formalização de uma preocupação que já vem afectando as Nações Unidas há anos. 

“O que ele está a dizer é uma formalização de uma preocupação que já vem afectando as Nações Unidas há anos, devido a dificuldade dos seus membros de honrarem com os seus compromissos financeiros, sobretudo dos membros mais fortes como os Estados Unidos Da América, que vão se retirando de várias agências da Nações Unidas, e dessa forma comprometendo a execução da agenda das Nações Unidas”.

O analista de política internacional olha também para a situação como uma chamada de atenção para que se avance de forma rápida com reformas necessárias, no funcionamento da Organização das Nações Unidas para que continue a ser uma instituição relevante no processo da manutenção da paz e segurança a nível mundial.

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