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Mozambique LNG projecta receitas de USD 35 mil milhões e reposiciona Moçambique no mapa energético mundial

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirma que a retoma efectiva do projecto Mozambique LNG, na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, representa um marco histórico para a economia nacional e para o sector energético africano.

O relançamento do empreendimento liderado pela TotalEnergies teve lugar nesta quinta-feira, em Cabo Delgado, e foi dirigido pelo Presidente da República, que classificou, na ocasião, o momento como “um dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, sublinhando que o País volta a afirmar-se como um destino seguro para grandes investimentos internacionais.

Segundo o Chefe do Estado, a retoma do projecto simboliza a resiliência do povo moçambicano perante as adversidades que levaram à suspensão das actividades em Maio de 2021, na sequência da degradação da situação de segurança na província.

“Este momento histórico representa muito mais do que o reinício de obras. Representa a vitória, resiliência, coragem e determinação do povo moçambicano”, afirmou o Presidente, que mencionou igualmente as cheias e inundações que ocorrem no País, referindo que “temos a certeza de que a vida voltará à normalidade”, disse Daniel Chapo.

Com um investimento global avaliado em cerca de 15,4 mil milhões de dólares, o projecto terá capacidade anual de produção de aproximadamente 13,12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito durante cerca de 25 anos, assente em duas unidades de liquefação em terra. O Chefe do Estado sublinhou que se trata de “um dos maiores projectos de GNL em África”, com potencial para posicionar Moçambique entre os principais fornecedores mundiais de gás natural.

O Presidente da República destacou ainda o gesto de solidariedade da TotalEnergies, que disponibilizou 200 milhões de meticais para apoiar as populações afectadas pelas cheias e inundações nas regiões Sul, Centro e Norte do País. “Quero agradecer à Total, através do seu CEO, Patrick Pouyanné, por esta oferta de 200 milhões de meticais ao povo moçambicano para assistirmos a nossa população”, declarou, frisando que a ajuda surge num momento particularmente sensível para o País.

Do ponto de vista económico, o Governo estima que, ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG possa gerar receitas na ordem de 35 mil milhões de dólares norte-americanos para o Estado, provenientes de impostos, petróleo-lucro e outros instrumentos fiscais. O Presidente considera que estes recursos serão determinantes para financiar o desenvolvimento nacional e criar uma base sólida para investimentos em sectores prioritários como educação, saúde, infra-estruturas e protecção social.

“A retoma do projecto foi possível, graças aos esforços consistentes do Governo na resolução dos desafios de segurança, materializados, entre outros, através do Acordo sobre o Estatuto das Forças entre Moçambique e o Ruanda e do reforço progressivo das Forças de Defesa e Segurança. Reiteramos, perante a comunidade nacional e internacional, que o nosso País é capaz de superar desafios, restaurar a confiança dos investidores e criar condições para investimentos seguros, responsáveis e duradouros”, afirmou.

No plano social e laboral, prevê-se que, durante a fase de construção, sejam criados cerca de 17 mil postos de trabalho, com prioridade para a mão-de-obra moçambicana, particularmente para residentes de Cabo Delgado. Actualmente, mais de cinco mil trabalhadores já se encontram mobilizados, dos quais cerca de 80% são moçambicanos e mais de 40% oriundos da província. Para o Presidente, este dado traduz-se em benefícios económicos e sociais concretos para as comunidades locais.

Paralelamente, estima-se a alocação de cerca de 2,5 mil milhões de dólares para a contratação de bens e serviços a empresas moçambicanas, reforçando o conteúdo local e promovendo a transferência de competências. O Chefe do Estado defendeu a definição de uma estratégia clara para assegurar que entre 10% e 20% do capital de investimento do projecto seja contratado localmente, fortalecendo pequenas e médias empresas nacionais.

Na ocasião, o Chefe do Estado destacou os avanços no reassentamento das famílias da Península de Afungi, onde foram construídas casas modernizadas e uma vila equipada com centro de saúde, esquadra da polícia, salão comunitário e infra-estruturas recreativas.

Para o Governo, a retoma do Mozambique LNG “marca o início de uma nova fase para Cabo Delgado e para Moçambique: uma fase de estabilidade, confiança, crescimento inclusivo e oportunidades para todos os moçambicanos”, reiterando que o sucesso do projecto deve ser medido, não apenas pela sua dimensão económica, mas sobretudo pela capacidade de transformar os recursos naturais em melhorias concretas na vida da população.

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