No Sudão, a guerra avança deixando marcas profundas e silenciosas. Desde Abril de 2023, mulheres e raparigas passaram a ser alvos directos de crimes sexuais usados como arma de guerra. O governo alerta para uma crise humanitária sem precedentes.
A denúncia vem da ministra dos Assuntos Sociais, Sulaima Ishaq al-Khalifa. A Ex-activista de direitos humanos e psicóloga, afirma que a violência sexual está a ser usada de forma sistemática, especialmente pelas Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar em confronto com o exército regular.
“O que é ainda mais grave é que a violência sexual está a ser usada como arma de guerra. É sistemática, com padrões recorrentes dependendo da região”, disse.
Segundo Sulaima Ishaq al-Khalifa, os crimes seguem roteiros repetidos conforme a região.
“O mesmo tipo de ataque se repete em Jazeera e Cartum. Em Darfur, o ataque é acompanhado por limpeza étnica. Não há limite de idade: uma mulher de 85 anos pode ser estuprada, assim como um bebê de um ano”.
Além dos estupros, mulheres são submetidas à escravidão sexual, traficadas para países vizinhos e forçadas a casamentos impostos para encobrir os crimes.
Sulaima Ishaq afirma que, embora existam denúncias contra ambos lados do conflito, a violência praticada pelas Forças de Apoio Rápido ocorre de forma organizada. “Os agressores diziam às mulheres que elas eram seres inferiores, chegando ao ponto de chamá-las de escravas. Usar a violência sexual como arma de guerra equivale a prolongar o conflito indefinidamente”.
Em um contexto de colapso institucional e grave estigmatização social das vítimas, segundo a ministra, muitos crimes ficam impunes.

