A família da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Diogo, prestou hoje uma homenagem marcada por emoção, gratidão e sentido de missão, durante a cerimónia fúnebre oficial realizada em sua memória. Numa mensagem lida em nome dos filhos e familiares, Luísa Diogo foi evocada como uma mulher de integridade, conhecimento e generosidade, cuja vida foi inteiramente dedicada ao serviço do país, da família e de Deus.
“Com um coração pesado, mas também com um profundo sentido de gratidão”, assim começou a mensagem familiar, que destacou a onda de solidariedade nacional e internacional que se seguiu ao anúncio da sua morte. Mensagens vindas de diferentes partes do país e do mundo celebraram as múltiplas dimensões da antiga governante: líder, economista, humanista, conselheira, mentora e amiga.
A família sublinhou que, acima de todos os cargos que exerceu, Luísa Diogo foi, sobretudo, uma mulher movida pelo espírito de serviço. Como cristã católica, acreditava que a liderança não é poder, mas responsabilidade; não é vaidade, mas entrega; não é privilégio, mas missão. Segundo os familiares, uma das últimas mensagens deixadas aos filhos resumia a sua filosofia de vida: cumprir o dever, com retidão e com amor.
No testemunho, foram recordados episódios marcantes da sua trajectória pessoal e profissional, que ilustram o seu sacrifício e resiliência desde muito cedo. Ainda estudante da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane, percorreu longas distâncias a pé durante a gravidez do primeiro filho, encarando as dificuldades não como obstáculos, mas como motivação para construir um futuro melhor. Mais tarde, conciliou maternidade, formação académica avançada e responsabilidades de elevada exigência no Ministério das Finanças e em instituições internacionais.
Após uma carreira ímpar ao serviço do Estado, que incluiu os cargos de Ministra do Plano e Finanças e Primeira-Ministra da República, Luísa Diogo continuou a servir o país e a comunidade internacional em várias frentes. Foi Presidente do Conselho de Administração do ABSA Moçambique durante mais de uma década, da Global Alliance Seguros por mais de oito anos e, durante cerca de 14 anos, conselheira e membro do Conselho de Administração do Programa de Liderança Ministerial da Universidade de Harvard.
A mensagem destacou ainda o seu empenho em causas humanistas e, nos últimos anos, a dedicação à sua fundação, com foco na educação, dignidade e autonomia como pilares do desenvolvimento humano. A família manifestou especial reconhecimento pelo carinho recebido de colegas internacionais, comunidades académicas e parceiros globais, que viam em Luísa Diogo não apenas a dirigente, mas a pessoa íntegra e generosa que sempre foi.
Num dos momentos mais tocantes, os familiares lembraram as suas origens humildes, evocando a história da mãe que a deu à luz numa machamba de arroz, símbolo das raízes profundas que moldaram o seu carácter e a sua capacidade de cuidar, resistir e fazer florescer mesmo em contextos difíceis.
A homenagem incluiu também palavras de gratidão aos pais, pelo incentivo à educação sem distinção de género, e ao marido, descrito como companheiro de vida e parceiro de caminhada, que sempre acreditou no valor e na voz da mulher.
Dirigindo-se aos netos, a família afirmou que o amor não termina com a morte, mas transforma-se, permanecendo vivo na fé, nos gestos de bondade, na busca pelo conhecimento e nos sonhos que continuam a crescer.
“Hoje despedimo-nos com dor, mas também com orgulho”, afirmou a família, sublinhando que, embora nenhum tempo ao lado de Luísa Diogo fosse suficiente, há serenidade na certeza de que cumpriu a sua missão ao mais alto nível.
A mensagem terminou com palavras simples e carregadas de significado: “Descanse em paz, mamã. Cumpriste, tatenda”.

