É uma região autónoma do Reino da Dinamarca, localizada numa ilha do mesmo nome a norte do oceano Atlântico, com uma dimensão de cerca de dois milhões de km2. Por culpa da sua geografia maioritariamente ocupada por gelo e como tal inóspito, este vasto território tem uma população de apenas 46.000 habitantes. Não obstante essa característica de espaço inóspito, tem sido alvo de cobiça pelos EUA e motivo de tensão entre os EUA e os seus parceiros Europeus na NATO, incluindo a Dinamarca.
Inicialmente Trump afirmou pretender ocupar o território a bem ou mal nao excluindo a possibilidade de uso da força para realizar o seu objecto. No entanto, mais recentemente no seu discurso em Davos Trump foi mais comedido priorizando a negociação diplomática para aquisição do espaço e sem referência ao uso da força. Contudo, dada a relevância e utilidade estratégica que os EUA atribuem ao território, a sua anexação parace ser irreversível.
Ainda no seu discurso em Davos Donald Trump sugere que pretende obter direitos Soberanos sobre Gronelândia por Motivos Estrategicos de Segurança. Entretanto, consideramos que para além desses motivos há, pelo menos, mais dois motivos não declarados que movem esta pretensão.
A questão estratégica tem a ver com a necessidade de colocação naquele território do escudo de defesa GOLDEN DOME, contra possíveis ataques da Rússia e da China a partir do Ártico. Entretanto, para isso, não precisa de ter direitos Soberanos sobre a Gronelândia uma vez que Dinamena faz parte da NATO e como tal pode disponibilizar espaço para a colocação do sistema de defesa aérea tal como o fizeram no passados outros membros da Nato (Turquia, Grécia, Alemanha etc). Neste sentido, o que Donald Trump não diz é que pretende ter esse sistema de defesa para se autonomizar dos sistemas de defesa instalados em Estados da NATO na Europa.
Na verdade Trump vem manifestando descontentamento em relação aos baixos niveis de comparticipação dos Estados da NATO nas despesas para a sua própria defesa. Exige Trump que a contribuição seja de pelo menos 5% do seu orçamento o que tem sido de difícil aceitação. Como forma de refuzir os gastos americanos com defesa de terceiros (mesmo que parceiris, é desenvolver e instalar um sistema independente e autónomo de defesa – o GOLDEN DOME. Essa intenção de autonomia em relação aos Estados da NATO não agrada aos Estados europeus membros da NATO. Eles irão fazer de tudo, incluindo o recente envio de tropas para a Gronelândia, para que a estratégia de Defesa Norte americana continue a contemplar a Europa.
O segundo motivo, não declarado, tem a ver com a necessidade de se apoderar de recursos estratégicos promitentes. Esse motivo não pode ser abertamente declarado. Estudos indicam que o território da Gronelândia, embora envolto em gelo, possui quantidades invejáveis de recursos energéticos (petróleo e gás) e terras raras que seriam propriedade dos Estalos Unidos em caso de exploração no futuro.
O terceiro motivo é a busca duma posição de GRADEUR do presidente Trump por um feito extraordinário apenas comparando ao feito dos fundadores dos EUA. Na verdade os EUA possuem 3 milhões de km2 e adicionar mais 2 milhões de km2 correspondentes ao território da Gronelândia seria um feito extraordinário que faria de Trump uma referência incontornável nos anais da história norte americana.
O problema é que esta pretensão, nos termos em que está a ser arquitetada ( venda forçada ou conquista pela força) é um atentado ao principio de autodeterminação dos povos, à soberana dos Estados e à integridade e inviolabilidade das fronteiras. Todos princípios fundamentais do Direito Internacional. Por outro lado, seria um prenúncio para a cisão da NATO, nos termos em que a conhecemos hoje, já que o artigo 5 não se aplica a casos de ataque a um membro por um outro membro, na circunstância pelo membro mais forte. Seria o cosolidar da política do poder, da força e da lei do mais forte em detrimento do Direito Internacional.
