Chamam-lhe turismo presidencial. Dizem que anda pelo mundo a passear. Que as viagens são luxo num país pobre. Que os encontros são só fotos, sorrisos emprestados e discursos sem eco. É uma crítica fácil — e profundamente injusta. Porque quem chama passeio a cada deslocação do presidente revela mais sobre a sua própria visão curta do que sobre a realidade do país. Moçambique não está em férias. Moçambique está em luta. E hoje essa luta já não se trava apenas nas fronteiras: trava-se em mesas de negociação, em fóruns económicos, em corredores empresariais onde se decide quem cresce… e quem fica para trás.
Desde que Daniel Chapo assumiu a presidência, o discurso de Moçambique lá fora deixou de ser lamento e passou a ser proposta. Antes pedíamos ajuda. Agora propomos negócios. Antes apresentávamos feridas. Agora apresentamos potencial. É uma mudança subtil, mas histórica. Porque o mundo investe em quem se respeita. E ninguém respeita um país que vive de desculpa em desculpa.
O presidente não leva listas de miséria nos bolsos. Leva portos, terra fértil, corredores logísticos, energia, gás, turismo, juventude, mercado. Leva uma ideia de país possível. Não vai implorar. Vai mostrar. E mostrar é mais poderoso do que suplicar.
Enquanto cá dentro muitos se distraem a falar em passeios, lá fora começam a falar em confiança. Começam a falar em investimento. Começam a falar em Moçambique como aposta e não como pena. O recente anúncio de investimento da ExxonMobil não caiu do céu como trovão tropical. Caiu depois de conversas, compromissos, garantias e diplomacia firme. A retoma progressiva da TotalEnergies e a consolidação da ENI não são obras do acaso. São sinais claros de que alguém andou a abrir portas invisíveis para que o dinheiro tivesse coragem de entrar.
E a reestruturação da dívida com o Brasil não é um detalhe técnico. É oxigénio. É menos peso no peito do Estado. É uma margem para respirar. É espaço fiscal para investir no que voa alto: educação, saúde, estrada, produção.
Este não é um governo de selfies. É um governo de contratos. E os contratos não nascem em praças públicas; nascem em salas onde o país tem de saber sentar-se sem baixar a cabeça.
Claro que não sejamos ingénuos. Diplomacia económica não é milagre. Não traz pão automático à mesa. O investimento não elimina a desigualdade sozinho. O gás não constrói escolas com as próprias mãos. Tudo isso depende do que se faz depois, em casa. Depende da forma como o Estado gere, como distribui, como protege o interesse público. É aqui que temos de ser implacáveis: exigir transparência, exigir retorno social, exigir que cada dólar estrangeiro valha dignidade nacional.
Mas uma coisa é exigir. Outra é sabotar por hábito. Outra é reduzir tudo a chacota. Outra é chamar turismo à sobrevivência.
Porque sejamos claros: ficar em Moçambique à espera que o milagre venha sozinho é que seria turismo político. É que seria irresponsabilidade histórica. É que seria suicídio económico.
O Presidente saiu pelo mundo não para fugir ao país, mas para lhe abrir portas. Não foi descansar, foi negociar. Não levou malas de roupa leve; levou o peso de uma nação inteira nas costas.
E nós, o que fazemos? Ou passamos a exigir que estas viagens produzam resultados reais e visíveis, ou então ficamos a comentar enquanto o mundo passa por nós em alta velocidade.
Há países que crescem porque acreditam no impossível. Moçambique só vai mudar quando perder o vício da descrença crónica.
Quem acha que isto é passeio talvez prefira um país parado. Eu prefiro um país em movimento. Mesmo tropeçando. Mesmo aprendendo. Mesmo errando. Mas nunca de joelhos.
Porque há viagens que trazem lembranças. E há viagens que trazem futuro.
