O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de uma vaga de calor, com temperaturas máximas entre 35 e 39 graus Celsius, em várias regiões das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, a partir de 15 de Outubro até domingo, dia 19 de Outubro de 2026.
Segundo o INAM, a situação resulta da persistência do transporte de ar quente e húmido e deverá afectar, na província de Maputo, os distritos de Boane, Namaacha, Moamba, Magude, Manhiça, Marracuene e Matutuíne, bem como as cidades de Maputo e Matola.
Na província de Gaza, estão em risco os distritos de Chibuto, Guijá, Mapai, Chicualacuala, Mandlakazi, Chókwé, Massingir, Mabalane, Massangena e Limpopo, além da cidade de Xai-Xai. Em Inhambane, a previsão abrange os distritos de Zavala, Mabote, Funhalouro, Panda e Inharrime.
O INAM alerta ainda que as temperaturas continuarão muito elevadas na região Centro do país, sobretudo nos distritos localizados ao longo do vale do Zambeze.
Face à previsão, o instituto recomenda a adopção de medidas de precaução e segurança para minimizar os efeitos da vaga de calor e do calor intenso.
A circulação de motorizadas continua a representar um risco na cidade de Chimoio, província de Manica, devido aos elevados índices de sinistralidade rodoviária envolvendo este meio de transporte. Dados disponíveis indicam que 18 operadores de táxi morreram e outros 28 ficaram feridos em acidentes de viação durante o primeiro semestre do ano.
A gravidade da situação preocupa também o partido Frelimo, que afirma ter perdido dois dos seus membros em acidentes de motorizadas no espaço de menos de uma semana.
Perante este cenário, o primeiro secretário da Frelimo em Chimoio, Mário Melo, anunciou a oferta de mil capacetes aos mototaxistas, numa iniciativa que visa reforçar a segurança dos operadores e contribuir para a redução dos acidentes.
Mário Melo considera urgente a adopção de medidas para travar a sinistralidade rodoviária, apelando aos mototaxistas para o uso de capacetes e o cumprimento das regras de trânsito.
O responsável defende que a prevenção deve ser uma prioridade, tendo em conta as perdas humanas registadas entre os operadores deste serviço de transporte.
Entretanto, o presidente da Associação dos Mototaxistas reconhece que os acidentes de viação continuam a constituir uma preocupação, mas afirma que a situação relativa aos assassinatos de operadores apresenta sinais de melhoria.
Segundo o responsável, a redução dos casos de homicídio estará associada ao trabalho desenvolvido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), através da Polícia de Protecção, e pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).
O presidente da associação refere que, anteriormente, chegavam a ser assassinados três a cinco mototaxistas num único dia. Actualmente, segundo explicou, podem decorrer várias semanas sem registo de casos semelhantes, situação que atribui à intervenção das autoridades policiais.
Apesar dos progressos no combate à criminalidade, a sinistralidade rodoviária continua a exigir atenção. Informações disponíveis indicam que uma parte significativa dos doentes internados nas enfermarias de Pediatria e Cirurgia do Hospital Provincial de Chimoio é constituída por vítimas de acidentes envolvendo motorizadas.
O Governo de Angola oficializou ontem, em Roma, Itália, a candidatura da embaixadora Josefa Sacko a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O Governo de Angola oficializou ontem, em Roma, Itália, a candidatura da embaixadora Josefa Sacko a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
A cerimónia decorreu na sede da FAO, em Roma, num evento organizado por Angola, à margem do Fórum Mundial da Alimentação, que decorre em Itália, e no qual o país está representado ao mais alto nível pelo Presidente da República, João Lourenço.
O lançamento oficial da campanha da candidatura da embaixadora angolana foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e conta com o apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana.
Engenheira agrónoma de formação, Josefa Sacko é actualmente embaixadora de Angola em Itália, e apresenta para a FAO “uma visão centrada na valorização da agricultura familiar, das mulheres e da juventude, na modernização dos sistemas de produção e no reforço da segurança alimentar, segundo divulgou o Governo angolano.
Em comunicado, o executivo salienta que “a candidatura de Josefa Sacko à direção-geral da FAO constitui uma das prioridades da diplomacia angolana no quadro da participação do país nos fóruns multilaterais ligados à agricultura, à alimentação e ao desenvolvimento sustentável”.
Angola sustenta a candidatura com “a experiência profissional e institucional da candidata, que exerceu as funções de secretária-geral da Organização Interafricana do Café e de Comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável”.
A sua candidatura “dá prioridade ao fortalecimento da agricultura familiar, ao acesso das mulheres e dos jovens aos meios de produção, à criação de oportunidades de emprego para a juventude e à renovação geracional no setor agrícola”.
A candidata propõe “a digitalização dos sistemas agroalimentares, a utilização da inteligência artificial, o reforço da capacidade de adaptação às alterações climáticas e a mobilização de financiamento para projetos sustentáveis e economicamente viáveis”.
Durante a sua intervenção que fez hoje, em Roma, o chefe da diplomacia angolana, Téte António, defendeu que a FAO deve continuar a ser “uma organização que coloque a ciência, a inovação e a tecnologia ao serviço da agricultura”.
Uma organização, acrescentou, “que apoie os pequenos produtores e as comunidades rurais, que promova o investimento e facilite o acesso ao financiamento e aos mercados, que fortaleça a cooperação entre países e regiões e que contribua para que os sistemas agroalimentares sejam mais produtivos, inclusivos, resilientes e sustentáveis”.
Esta é a visão que a embaixadora Josefa Sacko submete à consideração dos Estados-membros e é uma visão que Angola considera poder contribuir para aproximar ainda mais a FAO das necessidades concretas dos seus países membros, segundo o Governo angolano.
A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou ontem que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita lhe pediu o reforço da presença naval europeia no Mar Vermelho, perante os ataques dos Huthis.
Em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo, Kaja Kallas condenou a “intensificação dos ataques dos Huthis” contra o aeroporto de Riade, enviando condolências às famílias das vítimas.
A chefe da diplomacia da UE indicou que, no domingo, falou ao telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, para perceber o que é que os europeus podem fazer para ajudar o país a lidar com a situação.
“Temos a operação Aspides e o apelo deles foi que reforçássemos esta operação, para que possa trabalhar em estreita coordenação com a força internacional a fim de manter aberto o estreito de Bab el-Mandeb e garantir a saída dos navios mercantes do Mar Vermelho”, afirmou.
A operação Aspides, lançada em fevereiro de 2024, visa proteger navios comerciais e mercantis no Mar Vermelho, Golfo e Oceano Índico Ocidental de ameaças crescentes, designadamente de ataques dos grupos Huthis do Iémen.
Kaja Kallas tem apelado, nas últimas semanas, ao reforço desta operação – argumentando que é necessário dotá-la dos meios de que precisa para conseguir cumprir o seu mandato –, e, em Setembro, indicou que dois Estados-membros se tinham disponibilizado para enviar mais navios para a região.
Nestas declarações aos jornalistas, a chefe da diplomacia da UE confirmou ainda que os ministros deverão aprovar hoje a criação de uma nova missão no Líbano.
“Terá uma componente civil e outra militar. Se esta decisão for aprovada, esperamos que a missão esteja pronta para iniciar operações no terreno dentro de alguns meses”, referiu.
Kallas recordou que visitou o Líbano na semana passada e acrescentou que a criação desta missão “é muito bem vista pelas autoridades locais”.
A Arábia Saudita anunciou três ataques contra o aeroporto da capital desde sexta-feira, que causaram mais de 15 mortos no total e centenas de feridos.
Os Huthis, que controlam Sanaa (capital do Iémen) desde 2014, reivindicaram nas últimas semanas vários ataques com drones e mísseis balísticos contra instalações civis e militares sauditas, incluindo aeroportos e infra-estruturas energéticas.
Os insurgentes iemenitas não são o único grupo que lançou ataques contra o território da Arábia Saudita nos últimos meses: o maior produtor de petróleo da OPEP também tem sido alvo de vários movimentos armados pró-iranianos que têm visado infraestruturas energéticas e civis do reino árabe.
O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar afirmou que os ataques contra civis no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh.
Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas durante um ataque aéreo em Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.
O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar (antiga Birmânia) afirmou hoje que os ataques contra civis registados no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh.
Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas, segundo dados da ONU, durante um ataque aéreo contra um mercado no estado de Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.
O ataque foi atribuído ao Exército birmanês pelo movimento rebelde Exército de Arakan, uma guerrilha budista que também discrimina esta minoria.
“O Mecanismo [Independente de Investigação da ONU para Myanmar] investiga denúncias de crimes internacionais muito graves que estão a ser cometidos atualmente no estado de Rakhine por autores de diferentes etnias, religiões e afiliações políticas”, apontou Nicholas Koumjian num comunicado.
O responsável pela investigação do mecanismo da ONU concluiu ontem uma visita oficial de seis dias ao Bangladesh, país para onde fugiram mais de 154 mil rohingya desde o início de 2024 devido à violência exercida contra esta minoria durante o conflito entre o Exército de Arakan e o Exército birmanês.
“Muitos rohingya partilharam comigo as suas experiências recentes e traumáticas que os levaram a procurar refúgio no Bangladesh e estes testemunhos são cruciais para fazer avançar as nossas investigações”, salientou Koumjian.
Esta perseguição junta-se à sofrida pelos rohingya durante a brutal campanha lançada pelo Exército em Agosto de 2017, que levou mais de 720.000 membros desta etnia a fugir também para o Bangladesh.
Segundo dados da ONU, mais de 1,2 milhões rohingyas estão em campos de refugiados localizados no território de Cox’s Bazar, no Bangladesh — a maior rede de campos do mundo.
Koumjian defendeu a necessidade de “pôr fim à violência contra a população civil” e de que os responsáveis respondam perante a justiça, apontando estas medidas como “passos cruciais para garantir que a comunidade rohingya possa regressar aos seus lares de forma segura”.
Este mecanismo da ONU, criado em 2018, forneceu material ao Tribunal Penal Internacional (TPI), às autoridades da Argentina, que abriram um processo em 2024 com base na jurisdição universal, e ao Tribunal Internacional de Justiça, no âmbito dos casos iniciados para investigar o possível genocídio contra o povo rohingya.
A campanha de repressão do exército de Myanmar contra esta minoria foi descrita pela ONU como uma limpeza étnica. Myanmar, de maioria budista, não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos rohingyas, nomeadamente a liberdade de movimentos.
A activista social moçambicana Graça Machel foi distinguida na 10.ª Gala de Prémios da Lusofonia, realizada no Casino Estoril, em Portugal, pelo seu percurso na defesa dos direitos humanos, com destaque para os direitos das crianças e das mulheres.
Ao reagir ao reconhecimento, Graça Machel afirmou que o prémio representa as centenas de milhares e milhões de crianças cujos direitos contribuiu para divulgar, promover e defender.
A activista manifestou, igualmente, preocupação com os retrocessos na protecção dos direitos humanos e com a situação das crianças em zonas de conflito, nomeadamente em Gaza, no Sudão, na Ucrânia, na República Democrática do Congo e no Norte de Moçambique.
Graça Machel chamou ainda a atenção para a violência contra as mulheres e o fenómeno do feminicídio, considerando que os esforços para garantir o respeito pelos direitos humanos continuam a ser insuficientes.
O prémio foi recebido, em nome da activista, pela embaixadora de Moçambique, que assegurou que a distinção será entregue a Graça Machel.
O Presidente da República admite dificuldades no exercício da função do professor e prometeu reformas para a melhoria das condições de trabalho. Daniel Chapo recebeu hoje, saudação da Organização Nacional de Professores. A classe apela à união, independentemente das diferenças de opiniões.
O país celebrou nesta segunda-feira o Dia dos Professores. Por ocasião da data, a Organização Nacional dos Professores saudou o chefe de Estado, com a renovação do compromisso da classe com o desenvolvimento do capital humano.
Em representação à agremiação, o Secretário-geral da instituição, Teodoro Muidumbe, destacou a necessidade de valorização da classe, como responsável pela formação de quadros que promovem o desenvolvimento do país. Disse ainda que o mínimo que o Professor quer é a valorização do seu esforço e entrega diária.
“No dia-a-dia, o Professor desdobra-se para cumprir a sua missão, muitas das vezes enfrentando turmas sobrecarregadas, escassez de material didático e longas distâncias para chegar às escolas, demonstrando uma resiliência e vocação exemplares que transcendem o mero exercício de um emprego. Os principais desafios técnicos e humanos incluem a necessidade urgente de contínua superação pedagógica para responder às reformas curriculares, à melhoria das condições socioeconómicas e habitacionais, especialmente nas zonas rurais, e à garantia de um ambiente de trabalho seguro e motivador”, defendeu o gestor.
Com um histórico de crispações entre membros da mesma classe, o secretário-geral da ONP deixou um apelo.
“A pluralidade das visões deve convergir para o mesmo propósito comum, a dignificação do professor e a qualidade da educação pública sem espaço para fragmentação da classe. Rogamos que o Governo continue focado na responsabilização progressiva das carreiras profissionais, no pagamento das horas extras e na alocação de mais recursos para a formação contínua. Acreditamos que investir no Professor é o caminho mais seguro para combater a pobreza e assegurar o desenvolvimento sustentável”, completou o seu discurso, convidando a plateia a aplaudir, em pé, enquanto oferecia uma escultura simbolizando a união de esforços, para um só propósito: o desenvolvimento do país.
O Chefe de Estado, dirigindo-se a uma plateia composta por professores de todos níveis, gestores escolares, bem como governantes, além de valorizar o papel desta figura para a construção social, recordou e mostrou conhecer os desafios impostos à classe, ao mesmo tempo que destaca o seu esforço, em meio a dificuldades.
“Os professores ajudam a formar gerações capazes de escutar o próximo com calma e serenidade, compreender as diferenças e construir consensos, fortalecendo a unidade nacional, a reconciliação nacional e a paz em Moçambique. Do mesmo modo, a nossa ambição de alcançar a independência económica começa nas escolas. Precisamos de cidadãos qualificados, criativos, inovadores, capazes de produzir, investigar, empreender e transformar os nossos recursos em riqueza para todos. O professor é, por isso, um agente essencial da transformação econômica e social do nosso país”, declarou o Chefe de Estado.
A necessidade de valorização da classe ganhou destaque no discurso de Daniel Chapo.
“Reconhecemos igualmente os desafios que afectam a classe docente, incluindo a gestão das carreiras, o desenvolvimento profissional dos nossos Professores e o processamento das horas extraordinárias. Estas matérias exigem respostas responsáveis, transparentes e sustentáveis, assentes no diálogo e na procura de soluções conjuntas que temos feito com os nossos professores. Orientamos, por isso, o Ministério da Educação e Cultura a desenvolver mecanismos para reconhecer e valorizar os professores que se distinguem pelo seu mérito, dedicação, competência e responsabilidade”.
Neste ano, a ONP celebra 45 anos de criação, contando actualmente com cerca de 34 mil Professores Associados, contra um total de mais de 160 mil profissionais, só no sector público.
PROFESSORES DIVIDIDOS
Alguns professores dizem que não há motivos para celebrar o dia 12 de Outubro. O Secretário-geral do Conselho Fiscal da Associação Nacional dos Professores, Carlos Muhate, aponta o não pagamento das horas extras e dos subsídios de funeral, falta de material didático e superlotação das turmas como alguns dos desafios que entristecem a classe.
As declarações foram captadas depois que Professores saudaram o Presidente da República, por ocasião do 12 de Outubro, na Praça dos Herois, onde prestaram homenagem aos melhores filhos da pátria.
O ambiente era de festa, mas nem todos os Professores encontraram motivos para celebrar.
“Não há motivos para celebrar, não há motivos para festejar. Só estamos aqui para simbolizar o dia, mas não porque, de facto, estamos felizes com o que nós estamos a vivenciar”, declarou Carlos Muhate, secretário do Conselho Fiscal da ANAPRO.
As razões são antigas e vêm ao de cima, sempre que chega a efeméride.
“O professor está a descontar o valor da assistência médica e medicamentosa a subsídio funeral e não se beneficia. Nos hospitais não há medicamento, não há subsídio funeral para o Professor. Fora disso, o Professor está devendo horas extras desde 2022. Até hoje, não está sendo pago. O Professor também vive numa tristeza profunda por falta de progressão e promoção na carreira. Desde 2022, as promoções, progressões e mudanças de carreiras estão estagnadas. Hoje, pode ser contratado um novo funcionário licenciado, já está a receber como licenciado. Um Professor em exercício que terminou de estudar em 2022 ainda continua a receber como N3 até hoje. A falta de salas de aula, turmas numerosas, falta de livro, esses são os problemas que apoquentam a nossa profissão”.
A Organização Nacional dos Professores reconhece os desafios, mas justifica que, sobre horas extras, alguns Professores dificultam o processo.
“Nós temos conhecimento que as finanças pagam, o dinheiro sai da conta central para o professor, mas o Professor não partilha essa informação que já recebeu. Só quando não tiver o valor completo. Ele diz que pagaram horas reduzidas, não sei quanto, mas eles não partilham a informação ao nível do seu sindicato. Então, isso dificulta”, defende Teodoro Muidumbe, reiterando a necessidade de maior colaboração.
A ANAPRO acusa a gestão da ONP de aliar-se ao Governo, contra os Professores. Carlos Muhate chegou a chamar a ONP de mentirosa.
“O que está acontecendo com o secretariado da ONP é vir aqui falar em nome do Governo, proferir mentiras e inverdades. Isso não corresponde à verdade. Se quiserem, senhores jornalistas, a comunicação social toda, andem nas escolas, procurarem saber quem é o Professor que recebeu horas extras. Isso não corresponde à verdade. A ONP não é Governo. E a ONP é a organização dos Professores: nós queremos uma organização que, de facto, defende os professores. A ONP com o Governo, não há diferença. É farinha do mesmo saco. São todos mentirosos”.
A ministra da Educação e Cultura, por seu turno, confirma o pagamento de horas extras a alguns Professores, mas fala de um processo complexo.
“Temos casos em que adulteram as horas, até chegam a receber, depois descobrem que, afinal de contas, não fizeram as horas, têm que andar atrás do processo para voltarem os nossos Professores a fazer o pagamento, portanto, das horas que receberam de forma indevida. É complexo, nós temos que migrar para as tecnologias, efectivamente, temos que ter a componente digital, estamos todos a trabalhar no sentido de mobilizarmos mais recursos para termos a componente digital, porque isso vai permitir que qualquer, nem que seja a Samaria, que esteja numa escola secundária e que esteja a dar aulas, vai estar programado de forma que a Samaria, para além das 24 horas, faz, por exemplo, mais cinco horas, já diz que a Samaria fez exatamente 29 horas”.
REGULARIZAR A PROBLEMÁTICA DE LIVROS ESCOLARES
A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela promete regularizar o problema dos livros.
“No ano passado, tivemos de fazer o ajustamento e a análise, a adequação de tudo que era pacote a nível do ensino primário. Trabalhamos nos programas de ensino para ajustar a nova lei. Estamos já falando dos programas do ensino secundário, portanto, desde a sétima à décima segunda classe. E, neste momento, estamos já trabalhando exactamente para fechar a questão dos materiais do ensino secundário. Portanto, a questão de não haver livro tem a ver exactamente com o ajustamento da lei. Porque tem que ocorrer para fechar os livros do ensino secundário. Fechamos o ensino primário, mas temos que fechar o ensino secundário. Não é possível ter livro sem ter feito o livro adequado em função da nova lei do Sistema Nacional de Educação. Nós estamos já a trabalhar para isso. Só temos que corrigir. Depois de corrigir, imprimir. Pode atrasar, sim. Mas estamos já a trabalhar exatamente para possamos ter livro”, garante Samaria Tovela.
O Presidente da República defende que o aprofundamento do canal de acesso ao Porto de Maputo é estratégico para reforçar a competitividade de Moçambique, atrair investimentos e aumentar a capacidade de produção e exportação do país.
Falando no lançamento do projecto de dragagem, o Chefe do Estado afirmou que a intervenção deverá permitir a entrada de navios de maior dimensão e eficiência, complementando os investimentos realizados nos terminais portuários e noutras infra-estruturas de movimentação de carga.
Avaliada em cerca de 150 milhões de dólares, a obra integra um programa de investimentos no Porto de Maputo superior a dois mil milhões de dólares. O objectivo, segundo o Presidente, é preparar o porto para responder às necessidades actuais e competir no sistema logístico regional e internacional nas próximas décadas.
O estadista considera que a localização geográfica de Moçambique constitui uma vantagem que deve ser transformada em oportunidades económicas, através de infra-estruturas capazes de ligar os centros de produção aos mercados regionais e mundiais.
Na sua intervenção, defendeu igualmente que os corredores de desenvolvimento devem gerar benefícios para a economia nacional, criando oportunidades para os transportadores moçambicanos, pequenas e médias empresas, jovens e mulheres, além de contribuírem para a geração de receitas para o Estado.
O Presidente destacou ainda a importância regional do Porto de Maputo, que estabelece ligações entre Moçambique e importantes centros industriais e produtivos da África do Sul, Essuatíni, Zimbabwe, Botsuana e outros países da região.
Para o Chefe do Estado, a competitividade portuária depende não apenas das infra-estruturas marítimas, mas também da eficiência das estradas, das fronteiras, dos sistemas de pagamento e dos operadores logísticos. Defendeu, por isso, que as instituições envolvidas devem funcionar de forma integrada, de modo a evitar que procedimentos administrativos desnecessários comprometam os ganhos dos investimentos.
O Presidente considera que o aprofundamento do canal de acesso ao Porto de Maputo deve contribuir para uma economia mais produtiva, industrializada, diversificada e competitiva.
O piloto Rodrigo Almeida terminou a época da Porshe Carrera Cup Asia 2026 no terceiro lugar da classificação geral, após o último fim-de-semana de competição (10 e 11 de Outubro), em Singapura.
Integrado na equipa Phantom Global Racing, o resultado permitiu-lhe fechar o campeonato no pódio. Depois de lutar pelas primeiras posições na corrida de sábado, Rodrigo Almeida arrancou de terceiro na corrida de domingo, com um ritmo que lhe permitiu disputar o pódio. O desfecho não correspondeu, porém, ao que o piloto e a equipa esperavam.
“Saio deste fim de semana com sentimentos mistos, mas sobretudo orgulhoso de tudo o que conseguimos ao longo da época. Dei sempre o meu melhor, lutei até ao fim e procurei também contribuir para os objectivos da equipa”, afirmou Rodrigo Almeida.
O piloto destacou ainda o contributo da equipa, dos patrocinadores e dos parceiros para o resultado alcançado. “Um enorme obrigado a toda a equipa por todo o trabalho, dedicação e apoio ao longo desta temporada. E, claro, aos meus patrocinadores e parceiros oficiais, que tornam tudo isto possível. Este resultado também é vosso”.
Apesar de um final exigente em Singapura, Rodrigo Almeida faz um balanço positivo da participação na Carrera Cup Asia. “Não foi o final que idealizámos, mas fechar o campeonato no TOP 3 à geral é motivo de orgulho. Agora é aprender, continuar a trabalhar e voltar ainda mais forte”.
Com a participação na Porsche Carrera Cup Asia 2026 concluída, Rodrigo Almeida prepara-se, agora, para a próxima prova do Supercars Endurance, que decorrerá de 6 a 8 de Novembro, em Jerez de la Frontera, Espanha. O piloto chega a esta etapa na liderança do campeonato.
Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior defende maior ligação entre universidades, investigação científica e sector produtivo
O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson da Graça Francisco Macuácua, considera que o ensino superior, a investigação científica e a inovação são pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável de Moçambique e para a conquista da independência económica do país.
O governante falava esta segunda-feira, 12 de Outubro, na cidade da Beira, durante a aula inaugural da Primeira Conferência Internacional de Pesquisa, organizada pela Universidade Adventista de Moçambique, sob o lema “O Papel da Investigação Científica, Inovação e Ensino Superior no Desenvolvimento Sustentável de Moçambique”.
Na ocasião, Macuácua defendeu que o desenvolvimento do país não deve depender apenas da exploração dos recursos naturais, das reservas de gás ou das terras aráveis, mas também da capacidade intelectual, científica e criativa dos moçambicanos.
Segundo o governante, as instituições de ensino superior devem assumir um papel activo na procura de soluções para os problemas que afectam as comunidades, privilegiando a qualidade do ensino, a empregabilidade e a aplicação prática do conhecimento científico.
“O nosso desafio actual mudou de escala: o nosso compromisso agora é com a qualidade, relevância e empregabilidade”, afirmou, sublinhando que as universidades não devem limitar-se à formação de graduados, mas preparar cidadãos críticos, líderes éticos e profissionais capazes de responder às necessidades do mercado de trabalho e aos desafios do país.
O Secretário de Estado destacou igualmente a importância da investigação científica na procura de soluções para os efeitos das mudanças climáticas na agricultura, no combate às doenças endémicas e na gestão sustentável dos recursos naturais.
Para Macuácua, a produção de conhecimento científico nacional permite reduzir a dependência de soluções estrangeiras e reforçar a capacidade de Moçambique para determinar o seu próprio rumo de desenvolvimento.
O governante defendeu ainda que os resultados da investigação devem chegar às comunidades e contribuir para a formulação de políticas públicas eficazes, para a melhoria dos serviços e para o bem-estar dos cidadãos.
No domínio da inovação, considerou fundamental criar condições para que os jovens transformem ideias em empresas, tecnologias em postos de trabalho e projectos de investigação em soluções aplicáveis ao mercado.
Neste contexto, saudou a inauguração da incubadora de inovação e negócios da Universidade Adventista de Moçambique, realizada no domingo, 11 de Outubro, considerando a iniciativa uma oportunidade para estimular o empreendedorismo juvenil e a criação de emprego.
Macuácua defendeu igualmente uma maior colaboração entre as universidades e o sector produtivo, de modo a transformar o conhecimento académico em iniciativas economicamente viáveis e capazes de responder às necessidades da sociedade.
Entretanto, anunciou que o Governo está a preparar uma proposta de Lei de Investigação Científica, com vista a melhorar a regulamentação do sector. Está também em preparação a Primeira Conferência Nacional de Investigação Científica, que deverá contribuir para impulsionar a pesquisa e reforçar a coordenação entre as instituições de ensino superior e de investigação.
O governante considerou que o cumprimento dos objectivos de desenvolvimento sustentável exige uma comunidade científica forte, activa e comprometida com os desafios nacionais.
A Primeira Conferência Internacional de Pesquisa reúne investigadores, professores, estudantes e outros intervenientes do meio académico para debater o contributo da investigação científica, da inovação e do ensino superior para o desenvolvimento de Moçambique.