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A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, manifestou consternação pelo falecimento da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, ocorrido esta sexta-feira, vítima de doença.

Numa mensagem de condolências dirigida à família enlutada, Gueta Selemane Chapo afirma que a partida de Luísa Dias Diogo representa uma perda profunda para Moçambique e, em particular, para as mulheres que nela encontraram uma referência de coragem, competência e liderança ao serviço do bem comum.

A Primeira-Dama sublinha que Luísa Dias Diogo foi uma mulher de visão e de princípios firmes, que exerceu com elevado sentido de responsabilidade os cargos de Ministra das Finanças e de Primeira-Ministra, contribuindo de forma decisiva para a consolidação económica do país e para o fortalecimento do papel da mulher na governação.

Na mensagem, Gueta Chapo destaca ainda que o exemplo de dedicação e integridade de Luísa Dias Diogo continuará a inspirar gerações de moçambicanas e moçambicanos, descrevendo-a como uma líder que soube unir competência e sensibilidade, abrindo caminhos e deixando marcas profundas no país e além-fronteiras.

A Primeira-Dama realça que o legado de Luísa Dias Diogo transcende a sua acção governativa, permanecendo vivo como inspiração para as novas gerações de mulheres e raparigas moçambicanas, a quem abriu caminhos de participação, liderança e serviço à pátria.

No final, Gueta Selemane Chapo expressa solidariedade à família enlutada e a todos os moçambicanos, manifestando votos de conforto e serenidade neste momento de dor, e reiterando que a memória de Luísa Dias Diogo continuará a iluminar o percurso de Moçambique.

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O Banco de Moçambique e os bancos comerciais decidiram reduzir a Prime Rate, taxa de referência para a concessão de crédito a famílias e empresas, para 15,70% em Janeiro, uma descida de 0,10 pontos percentuais face a Dezembro, quando se situava em 15,80%.

A redução foi anunciada no âmbito da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, mecanismo que regula a formação das taxas de juro variáveis aplicáveis às operações de crédito no país.

Segundo a Associação Moçambicana de Bancos (AMB), a Prime Rate actualmente em vigor resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,50%, e do Prémio de Custo, estabelecido trimestralmente em 6,20%.

“No quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único, a AMB comunica o Indexante Único, o Prémio de Custo e a Prime Rate a vigorar em Janeiro de 2026”, refere o comunicado.

Com a descida da taxa, famílias e empresas com créditos indexados à Prime Rate poderão beneficiar de algum alívio no serviço da dívida, ainda que de forma gradual.

A AMB explica que a evolução da Prime Rate está directamente ligada à trajectória da taxa de juro de política monetária (MIMO), já que esta integra o cálculo do Indexante Único, indicador baseado na taxa média ponderada das operações do Mercado Monetário Interbancário, com prazo de um dia útil.

Este indicador reflecte operações entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais à taxa MIMO, bem como operações de recompra e permutas de liquidez entre instituições bancárias.

Desde Janeiro de 2024, a Prime Rate tem seguido uma trajectória descendente. Após seis meses consecutivos no nível máximo de 24,10%, desceu para 17,20% em Agosto, 16,50% em Setembro, manteve-se estável em Outubro, e recuou sucessivamente: 16% em Novembro, 15,80% em Dezembro e 15,70% em Janeiro de 2026.

Esta tendência acompanha os cortes sucessivos da taxa MIMO, que esteve em 17,25% desde Setembro de 2022, e começou a ser reduzida de forma contínua a partir de 31 de Janeiro de 2024. A AMB destaca que a descida da Prime Rate ocorre de forma faseada, devido à inclusão do Prémio de Custo, que reflecte os riscos da actividade bancária não incorporados no mercado interbancário.

A associação recorda que a Prime Rate constitui a taxa de referência única para os créditos de taxa variável no sistema financeiro nacional, à qual se acrescenta um spread, definido por cada instituição de crédito, em função do risco, tipo de produto, prazo, garantias e perfil do cliente.

O Acordo sobre o Indexante Único visa, segundo a AMB, reforçar a transparência na fixação das taxas de juro, melhorar a transmissão da política monetária e permitir que os clientes acompanhem com maior clareza o impacto das decisões do banco central no custo final do crédito.

Mais de 2 mil famílias foram afectadas pelas inundações no distrito da Maganja da Costa, província da Zambézia, desde finais de Dezembro a esta parte. Maganja recebe água da chuva a montante, com a destruição do dique do nante, a situação de abrigo das famílias ficou comprometida. 

Neste momento, mais de 2 mil casas estão alagadas na localidade de nomiua, posto administrativo de Baixo Licungo Nante. As respectivas famílias foram retiradas das zonas de risco para dois centros de acomodação estabelecidos no âmbito da implementação do plano de acções antecipadas. 

O delegado provincial do INGD na Zambezia Helder da Costa garante que as famílias estão em segurança nos centros e a receber assistência. 

Da assistência que está a ser canalizada às mais de 2 famílias, destacam-se abrigo seguro, alimentação e diversos bens. 

Neste momento, na província da Zambézia a situação é considerada calma, embora prevaleça inundações ao nível do baixo Licungo-nante.

A Administração Nacional de Estradas (ANE)  já conseguiu fundos para as obras de contenção da erosão, que ameaça cortar a Estrada Nacional Número Um (EN1) e deixar a cidade de Pemba parcialmente isolada do resto da província.

As obras de contenção da erosão na berma da EN1, na cidade de Pemba, deviam ter iniciado e terminado antes da presente época chuvosa, mas só agora é que a Administração Nacional de Estradas conseguiu mobilizar  fundos para evitar a interrupção da via.

“Nos últimos meses, nós empreendemos a procurar aquilo que seria a melhor solução para conter aquela erosão e a solução que estamos a trazer é, de facto, fazer a montagem de gabiões com vista a proteger o talude e o fundo daquela cratera, isso acompanhado de uma bacia de recepção das águas”, explica Jorge Govanhica, Delegado da ANE em Cabo Delgado.  

Os fundos, segundo o delegado da ANE em Cabo Delgado, já estão disponíveis, mas  as obras só vão iniciar depois de um estudo do impacto ambiental. 

“É necessário fazer uma série de estudos com vista a que as actividades não afectem o meio ambiente. Então, o passo seguintes é trabalhar para obtermos a licença ambiental e do outro lado fazer o apuramento do empreiteiro, e criar todas as condições administrativas de início de actividades”, avançou o delegado. 

As obras de contenção da erosão que ameaça cortar a EN1 na cidade de Pemba estão avaliadas em cerca de 150  milhões de meticais, disponibilizados pelo Governo.

Os Estados Unidos anunciaram o congelamento dos processos de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, entre os quais 26 nações africanas. Moçambique não está na lista dos afectados pela medida.  

A decisão foi tornada pública na quarta-feira e faz parte do reforço da política migratória adoptada pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, desde o seu regresso ao poder.

A medida afecta exclusivamente os vistos de imigrantes, de 75 países, incluindo 23 africanos como Nigéria, Egipto, Etiópia,Cabo Verde, Camarões, República Democrática do Congo, República do Congo, Chade e Ruanda, destinados a estrangeiros que pretendem viver permanentemente nos Estados Unidos. Moçambique não está na lista dos países afectados. 

 Segundo o Departamento de Estado, o congelamento entra em vigor a 21 de Janeiro e não se aplica a vistos temporários, como os de turismo, negócios ou estudo.

As autoridades norte-americanas justificam a decisão com a necessidade de assegurar que os novos residentes não representem encargos para as finanças públicas e travar aquilo que consideram um uso abusivo do sistema migratório.

A medida surge acompanhada por uma intensificação das acções de fiscalização. Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, mais de 100 mil vistos terão sido revogados e mais de 605 mil pessoas deportadas, enquanto cerca de 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente, gerando forte preocupação nos países afectados, sobretudo em África.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, considerou a visita de três dias aos Emirados Árabes  Unidos (EAU) “bastante positiva”, destacando o reforço do  conhecimento mútuo, a aproximação com líderes mundiais e a  abertura do país para aprofundar a cooperação bilateral, económica  e comercial com Moçambique. 

“Muitas empresas manifestaram disponibilidade e interesse em investir  em Moçambique […]. O mais importante é dar seguimento àquilo que  aqui encontrámos e definimos como prioridade nos sectores […] para 

o desenvolvimento do nosso país, mas também o desenvolvimento do  nosso povo”, afirmou. 

O Chefe do Estado deslocou-se a Abu Dhabi a convite do Sheikh  Mohammed Bin Zayed Al Nayani, Presidente dos EAU, para participar  na Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, plataforma global  estabelecida em 2008 visando fazer uma reflexão conjunta sobre os  desafios e buscar os melhores caminhos para acelerar o  desenvolvimento sustentável e promover o progresso económico e  social do mundo. 

Durante o evento, que contou com a presença de governantes,  representantes de instituições financeiras internacionais, do sector  privado e empresarial, Moçambique participou nos debates e  manteve contactos bilaterais com Chefes de Estado e de governo,  visando consolidar relações e explorar oportunidades de investimento. 

No âmbito da Semana de Sustentabilidade, Chapo  interveio num evento de alto nível com o tema “Acelerando a  Capacidade de Investimento de Infraestruturas no Sul Global”. “Neste  evento defendemos a importância do investimento nas infraestruturas  como a espinha dorsal para o desenvolvimento e progresso dos  países”, afirmou, frisando a necessidade de infra-estruturas resilientes  face a cheias, inundações e ciclones recorrentes em Moçambique. 

A nível bilateral, o estadista moçambicano manteve encontros com o  Presidente dos EAU e com o Sultan Ahmed Al-Jaber, Ministro da  Indústria e Tecnologia Avançada e CEO da ADNOC (companhia  estatal de petróleo e gás de Abu Dhabi, uma das maiores do mundo  no sector energético) e Masdar, uma empresa de energia renovável e  sustentabilidade.

Foram identificadas áreas prioritárias de cooperação, incluindo  transporte e logística, recursos minerais, energia, saúde, educação,  agricultura, digitalização e industrialização. Durante a visita,  testemunhou-se a assinatura de cinco instrumentos de cooperação,  entre eles memorandos nos sectores da saúde, farmacêutico,  economia azul, proteção ambiental, empoderamento feminino e  diplomacia. 

No sector empresarial, Moçambique participou numa mesa redonda e  manteve encontros com representantes de empresas dos Emirados  Árabes Unidos e de outros países. O Presidente Chapo reforçou as  oportunidades de investimento em Moçambique, incentivando as  empresas a considerar o país como “um destino preferencial dos seus  investimentos”.

Em Maputo, o bairro Hulene “A” voltou a afundar-se em dor e desespero. Casas invadidas pela água, famílias separadas e memórias destruídas, o drama das inundações repete-se há dois anos. A bomba de água alocada no bairro não responde à demanda, o apelo é de mais meios e mais acção das autoridades.

Tudop acontece no coração do bairro Hulene “A”, onde a água voltou a tomar conta das casas e com ela, a dor de quem já não sabe o que é viver em paz. Hortência Mudlhovo e sua família são apenas um dos rostos do sofrimento que, há dois anos, insiste em regressar a cada vez que chove fortemente em Maputo.

Nestas inundações há famílias que perderam quase tudo. Sofás encharcados, roupas boiando e memórias destruídas pela força das águas. 

Sem condições mínimas para abrigar os filhos, Hortência foi obrigada a mandá-los para casa de um familiar. “Esta água entrou na sexta-feira, mas estou aqui, pois não tenho para onde ir. Mesmo hoje, pedi para as crianças irem comer um pouco em casa da minha madrinha. A minha situação é esta, a água é esta, durante dois anos. Vivo aqui”, denuncia Hortência Mudlhovo. 

As ruas do bairro Hulene “A” transformaram-se em verdadeiros rios. Houve quem conseguiu tirar seus pertences pouco antes da água invadir completamente a sua casa. Enquanto isso, outros moradores corriam contra o tempo para salvar o que podiam, alguns colchões, outros sacos e bacia de roupa molhada, outros apenas olhavam, impotentes.

Os baldes passam de mão em mão retirando águas que quase ocupam os compartimentos das casas. A bomba de água que deveria aliviar a situação não dá conta da dimensão do desastre e o apelo é de alocação de mais meios.

“Não estão a fazer nenhum trabalho. A bomba está a funcionar, mas não puxa água, pois é uma, não é suficiente. Pedimos que acrescentem os carros para auxiliar aquela bomba, pois esta água é muita”, pediu Hortência Mudlhovo.

A cada gota que cai, cresce o risco de uma nova tragédia para os afectados que actualmente vivem num cenário de resistência.

Entretanto, a edilidade de Maputo descarta para já a ideia de retirada imediata das pessoas em zonas críticas, afectadas pelas inundações e desabamento de terra, porém afirma estar a desenvolver trabalhos no terreno para minimizar a situação. 

A informação foi avançada pelo edil de Maputo, Razaque Manhique, que escalou algumas zonas esta quarta-feira, para ver de perto os trabalhos no terreno, que incluem a colocação de anilhas, abertura de valetas para o desvio das águas.

Polana Caniço tem cerca de 8 famílias que estão na rota de colisão com cedência da terra.

Os próximos dias vão exigir muito, uma vez que a previsão meteorológica mostra que a precipitação vai até o fim de semana. Entretanto, para fazer face às descargas, a edilidade promete também rever a situação das bacias de retenção. 

Caso a situação continue desafiadora, a edilidade está a fazer trabalhos de colecta de dados para apurar o número real dos assolados, não vê outra solução senão retirar as famílias para novas zonas.

A circulação rodoviária na Estrada Nacional nº 1, em Sofala, já retornou a normalidade, no troço entre Save e Muxúnguè, depois de estar condicionada por três dias devido a intensas chuvas e inundações que contribuíram para as águas dos rios Muari e Gorongosa galgarem a rodovia e danificar o troco. Ainda devido as intensas chuvas que caiem na zona Centro do país, a vila sede do distrito do Búzi está inundada desde a noite desta terça-feira. 

A circulação rodoviária ao longo da Estrada Nacional nº 1, entre Save e Muxúnguè, tende a voltar à normalidade. Na manhã desta quarta-feira, a nossa equipa de reportagem esteve na ponte sobre o rio Gorongosa, onde nos últimos dois dias a água tinha galgado a ponte em cerca de 30 centímetros. 

O cenário encontrado era mais tranquilo, com a estrada já visível e a circulação já a ser efectuada sem restrições. O Secretário de Estado da província de Sofala esteve no local e viu a situação, tendo anunciado a normalidade da circulação

“Nós tivemos situações alarmantes, um pouco preocupantes há dois dias, mas naturalmente era uma questão mesmo de precaução. Quando dizemos, olha, não vamos transitar neste troço entre o rio Muari e esta ponte do rio Gorongosa, era porque de facto a água já tinha galgado a própria estrada. E em alguns sítios não era visível qual era o melhor sítio para as viaturas passarem. É por isso que nós já tínhamos alertado para não se transitar à noite”, começou por dizer Manuel Rodrigues.

Devido às intensas chuvas e inundações que nos últimos três dias galgaram parte da rodovia no troço entre Save e Muxúnguè, que recentemente beneficiou de uma reabilitação, a estrada apresenta-se com buracos, nas proximidades dos rios Muari e Gorongosa.

Manuel Rodrigues alerta que esta situação foi causada pelo facto do rio ter estado a receber muita água a montante. “E esta água não é só da chuva que fica aqui na província de Sofala. É a água que também vem da província de Manica e do Zimbabwe, mas também é a água que vem da África do Sul”, frisou.  

Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira os utentes da Estrada Nacional nº 1 estão a circular na rodovia, apesar de estarem apreensivos, tendo em conta o estado em que a mesma se apresentava.

É o caso de Abel  Luís, que passava em direcção a Sofala, conta como estava a via antes da reabertura. “Ao redor da estrada há muita, muita água e acabou mesmo transbordando a ponte e nós estamos a ver no rio Gorongosa não como vimos há dois dias atrás, que estava intransitável. Mesmo nós para podermos chegar aqui hoje, foi mesmo com o coração nas mãos. É uma situação complicada, mas graças a Deus vamos conseguir passar”, disse.

Por seu turno, Neto Paulo disse que havia muita expectativa em relação à circulação e que “não esperávamos passar e contávamos que íamos dormir aqui mesmo, mas graças a Deus estamos a conseguir transitar para outro lado”.

Ainda sobre as intensas chuvas que caem em Sofala e a montante, a bacia do rio Búzi transbordou e a vila sede com o mesmo nome está inundada. Manuel Rodrigues, Secretário de Estado em Sofala, foi quem deu o ponto de situação.

“A situação em Búzi está a tender também a preocupar naquilo que é a subida do rio Búzi. As pessoas começaram a ser evacuadas compulsivamente desde ontem (terça-feira) e a operação continua hoje (quarta-feira) para a zona segura que é o posto administrativo de Guarajá”, anunciou. 

O Secretário de Estado em Sofala terminou exortando a comunidade do distrito do Búzi a estar permanentemente atenta e aos utentes da EN1, onde decorrem obras de tapamento de emergência dos buracos que foram causados pelas intensas chuvas, a conduzir com prudência.

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), criticou, nesta quarta-feira, o Governo por pagar apenas 40% do 13º salário, avançando com uma greve de 30 dias, a partir da sexta-feira, para exigir o pagamento total.

A posição surge após o anúncio da aprovação pelo Governo moçambicano do pagamento de 40% do 13º salário aos funcionários públicos, agentes do Estado e pensionistas, nos meses de Janeiro e Fevereiro, uma redução face aos 50% pagos no ano passado.

Segundo o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique, Anselmo Muchave, citado pela Lusa, além de reivindicar o pagamento na íntegra do ordenado, a paralisação das actividades pelos profissionais de saúde é também uma forma de denúncia pela crise estrutural do Sistema Nacional de Saúde.

“E, com isso, haverá uma paralisação das actividades a partir das 15h30 desta sexta-feira”, explicou, acrescentando que os profissionais vão submeter “um ofício legal anunciando a greve, para cumprirem o que está definido na lei”.

Para a APSUSM, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, o anúncio do pagamento parcial do 13º salário “não agradou aos profissionais de saúde e à função pública”, trazendo um sentimento de desvalorização aos trabalhadores.

A mesma fonte também declara que a paralisação anunciada vai acontecer num contexto mais amplo da crise estrutural do Sistema Nacional de Saúde, caracterizado, entre outros, pela falta recorrente de medicamentos essenciais nas unidades sanitárias, de alimentação e de um internamento condigno para os pacientes.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou hoje, em Abu Dhabi, uma visão  abrangente do potencial económico de Moçambique e apelou ao  investimento privado dos Emirados Árabes Unidos (EAU) em sectores  estratégicos, durante a Mesa Redonda EAU–Moçambique, que reuniu  empresários dos dois países e se seguiu a uma sessão de debate  subordinada ao tema “Oportunidades para o Sector Privado dos  Emirados Árabes Unidos”. 

Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou o posicionamento  de Moçambique entre os principais países do mundo em projectos de gás natural liquefeito flutuante (FLNG), afirmando que o país integra o  “top 10 do FLNG no mundo”, com quatro grandes projectos em curso:  os dois projectos liderados pela ENI, designadamente o Coral Sul e o  Coral Norte, da Total e o da Exxon Mobil. 

Daniel Chapo detalhou a dimensão financeira destes  empreendimentos, sublinhando que estão em causa investimentos na  ordem de 50 mil milhões de dólares norte-americanos nos próximos  anos em Moçambique. Afirmou estar confiante de que estes projectos  irão impulsionar o crescimento económico, reiterando, contudo, a  necessidade de diversificar a economia nacional. 

No sector energético, o estadista defendeu a ambição de  Moçambique se tornar um hub regional de electricidade no espaço  da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC),  argumentando que os países vizinhos enfrentam actualmente um  grande défice energético. 

“Nós queremos ser um hub energético na região da SADC”, afirmou,  apontando o potencial hidroeléctrico do país, com destaque para  Cahora Bassa, a sua segunda fase, e o projecto Phanda Nkuwa, que  prevê cerca de 1.500 megawatts no rio Zambeze. 

Ademais, sublinhou igualmente as oportunidades no gás para  produção de energia, na construção de linhas de transmissão para  exportação regional e no aproveitamento da energia solar, frisando  que Moçambique dispõe de sol durante todo o ano. “Nós estamos  falando sobre a transição energética. E eu acho que energia solar é  muito importante para fazer investimentos em Moçambique”, disse,  apelando directamente aos investidores dos Emirados para parcerias  no sector energético.

 

No domínio dos transportes e logística, o Presidente Daniel Chapo  destacou a importância estratégica dos portos de Maputo, Beira e  Nacala para os corredores regionais, defendendo o aumento da  capacidade e a modernização destas infra-estruturas. Sublinhou que a  digitalização portuária é “a chave para o nosso sucesso”, referindo  que o processo já decorre no Porto de Maputo e deverá ser estendido  à Beira e a Nacala. 

Outrossim, apontou ainda o potencial de Moçambique em recursos  minerais, incluindo minerais críticos como o grafite e outros como o  ouro, defendendo a industrialização como prioridade, bem como o  reforço da agricultura para a segurança alimentar global. Destacou  igualmente as vantagens competitivas do país no turismo, referindo a  extensa linha costeira de cerca de 2.700 quilómetros, praias, ilhas  naturais e áreas de conservação. 

À margem da sua participação na Semana de Sustentabilidade de  Abu Dhabi 2026, o Presidente da República manteve encontros com  investidores internacionais, que manifestaram interesse em projectos  de grande escala. 

O Director de Desenvolvimento de Negócios da AUM, companhia  ligada à mineração, Sorin Teodorescu, revelou avanços concretos no  sector mineiro: “Tivemos discussões com o Presidente a respeito do  quadro para a construção de refinarias de ouro em Moçambique, em  diversos pontos, incluindo também a criação de um quadro legal para  exportações e para o sector de mineração, não apenas o ouro”. 

Teodorescu garantiu que a decisão de investir já está tomada:  “Portanto, iremos apoiar o Presidente com o quadro e também com a  construção das refinarias em Moçambique”, e considerou o projecto estratégico para África, afirmando que “a industrialização da África  está apenas começando” e que “Moçambique é um país-chave para  isso”. 

Também o Presidente do Conselho de Administração da Red Flag  Industrial, Wissam Baloul, elogiou a liderança do Chefe do Estado,  afirmando que “o encontro com o Senhor Presidente foi excelente”, e  adiantou que a Red Flag Industrial está preparada para investimentos  de grande escala, sem limites orçamentais. 

“Falámos de milhares de milhões de dólares. Estamos envolvidos em  todos os sectores industriais e práticos do desenvolvimento, incluindo  saúde, infra-estruturas, habitação, empoderamento, energia solar,  cibersegurança e vários outros domínios do desenvolvimento”, disse. 

Baloul revelou ainda que os projectos poderão arrancar já no final de  Fevereiro. “Para concretizar um vasto conjunto de projectos de  desenvolvimento, o Presidente transmite-nos entusiasmo e encoraja nos a estarmos em Moçambique o mais cedo possível. Assim, é  provável que, no final de Fevereiro, iniciemos a implementação do  nosso plano no país, colaborando com o Governo para alcançarmos  o sucesso em conjunto”.

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