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Promessas “vazias” sempre alimentaram desejo de ver sistema de transporte melhorado em Maputo

O Governo já fez várias promessas, algumas ousadas, para melhorar o drama de transportes em Maputo, mas muitas delas não passaram da letra morta. “O País” rebobina memórias e traz, a seguir, alguns projectos falhados.

Foi sempre assim, foi sempre à moda “salve-se quem puder”, que os munícipes das principais cidades do país foram transportados. As promessas de melhorias do sistema de transporte em Maputo, por exemplo, vêm de muito tempo. Em 2012, David Simango, antigo edil da Cidade, até prometeu metro de superfície para ligar Maputo, Matola e Marracuene. Mas isso não foi além de uma promessa.

Há alguns anos, o Governo, através do Ministério do Transportes e Comunicações, anunciou o investimento de compra de autocarros movidos a gás com objectivo de reduzir custos de operação e melhorar a qualidade de transporte na região de Maputo.

Trata-se de um projecto que o executivo até implementou por algum tempo, mas morreu sem produzir efeitos pretendidos. Aliás, essa ideia foi ressuscitada no ano passado pelo PCA da Agência Metropolitana de Maputo. “Nós produzimos gás, estamos a produzir energia eléctrica com o gás de que Moçambique dispõe. Falo de gás de Panda. Temos, agora, várias estações que podem abastecer os autocarros. Nesta ordem, está em curso a aquisição de viaturas a gás para melhorar o sistema de transporte, aumentando a oferta e reduzindo os custos operacionais, porque o litro equivalente a gás é cerca de 50 porcento mais barato que o litro do diesel”, defendeu António Matos, PCA Agência Metropolitana de Maputo, numa entrevista à STV. Entretanto, foram contas bonitas, mas tais autocarros movidos a gás ainda não chegaram.

Nesta onda de promessas entra Manuela Rebelo, vice-ministra dos Transportes e Comunicações que, em 2017, durante uma visita presidencial a Japão, fez o povo moçambicano sonhar alto com algo denominado Automated Guideway Transit (AGT), que, em português, pode traduzir-se como ‘Trânsito de Guia Automatizado’, usado em Tóquio. Trata-se de um sistema de transporte totalmente automatizado, sem condutor, através do qual os veículos são guiados automaticamente. “O projecto deverá iniciar ainda este ano (2017), prevê-se que entre o estudo de viabilidade, realização das obras e o início da operação deste trabalho do AGT, termine no ano 2023”, garantiu a dirigente.

Na altura, Manuela Rebelo era uma mulher optimista e até fez questão de detalhar o projecto para os moçambicanos. “A ideia que temos é garantir este tipo de transporte, ligado a outros projectos como metro de superfície, faixas dedicadas, isto é, o BRT, para que possamos resolver os problemas de transportes na região metropolitana de Maputo e, até 2023, teremos esse sistema a funcionar”, reiterou.

De 2017 a esta parte, já passam quatro anos e ainda nada se passou e, para 2023, faltam apenas dois anitos. Aguardemos! Aliás, nos últimos anos, a vice-ministra prefere não falar do Automated Guideway Transit de Tóquio e dedica a sua atenção aos autocarros.

Manuela Rebelo foi sempre uma mulher de promessas. No final do ano passado, não fugiu à regra tendo prometido que o Governo iria cumprir a meta de adquirir mil autocarros até Fevereiro deste ano. Sucede que desde que iniciou ano, o governo não apresentou, publicamente, os autocarros que fazem parte do lote prometido à população.

 

QUEM NÃO SE LEMBRA DO BRT

O projecto BRT, bastante comentado e que parecia a salvação do caos que existe em Maputo, morreu. Trata-se de um projecto que visava facilitar o escoamento de autocarros de passageiros na Cidade de Maputo. Defensor da iniciativa, Carlos Mesquita acabou por sair do ministério dos Transportes sem executar o projecto e, agora, já ninguém fala do BRT.

 

À ESPERA DA PROMESSA DE JANFAR ABDULAI

Para não fugir à moda, entrou, também, em cena Janfar Abdulai, actual ministro dos Transportes e Comunicações, que promete 100 autocarros até Agosto do presente ano. “Estimamos em cerca de seis milhões de dólares que serão aplicados para a compra desses autocarros. É importante referir que dos autocarros que pretendemos adquirir, 80 são movidos a gás e os restantes a diesel”, precisou e, de hoje até lá, faltam apenas três meses. Aguardemos!

Mesmo sem arranjar soluções para a crise de transporte em Maputo, Eneias Comiche, edil da Cidade de Maputo, tomou, há meses, uma decisão arrojada de banir os my loves.

O certo é que as populações continuam a ser transportadas nos my loves, à espera de um sistema de transportes funcional há muito prometido pelo Governo.

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